Mario Sabino

Trump com Flávio; Trump com Lula: é um prazer descobrir o Brasil

Trump recebeu Flávio Bolsonaro na Casa Branca, mas não faz muita diferença para o presidente americano se Lula for reeleito

atualizado

metropoles.com

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Divulgação/Flávio Bolsonaro
Foto de Flávio Bolsonaro no Salão Oval com Trump -- Metrópoles
1 de 1 Foto de Flávio Bolsonaro no Salão Oval com Trump -- Metrópoles - Foto: Divulgação/Flávio Bolsonaro

Flávio Bolsonaro foi recebido por Donald Trump na Casa Branca.

O rapaz ficou reunido com o presidente americano durante 1h40; Trump perguntou sobre o estado de Jair; Flávio pediu que os Estados Unidos classificassem o PCC e o CV como organizações criminosas. Fizeram fotos juntos.

O eleitorado bolsonarista exultou: quem disse que Trump se bandeou para o lado de Lula? Flávio é um estadista, só falta o cargo, não é qualquer brasileiro que é recebido pelo presidente americano no Salão Oval.

O eleitorado lulista desdenhou: as fotos são fakes (não são); Lula passou o dobro do tempo com Trump, na sua última visita oficial; o presidente brasileiro não precisa de Trump para ser reeleito; Lula, aliás, peitou o presidente americano.

O resumo mostra o grau de boçalidade geral alcançada pelos brasileiros, não importa a paleoideologia que professem. O trabalho de destruição da inteligência e das instituições foi árduo, mas o objetivo foi plenamente alcançado.

Vamos ao que interessa.

Flávio conseguiu virar a página do caso Dark Horse? Não. Esse ponto só irá para relativíssimo segundo plano lá adiante, na campanha propriamente dita, se nada mais surgir nesse fronte — e a operação de ontem contra Cláudio Castro, pau mandado do filho de Jair, não aponta nesse sentido, pelo contrário.

Trump vai se meter na eleição brasileira? Talvez haja endosso ao candidato da direita no segundo turno, mas, se houver apoio declarado, a tentativa de influenciar no resultado será bem mais leve do que a que se desenhava há um ano.

Para o presidente americano, não faz muita diferença se Lula for reeleito. No plano geral, Trump viu que deu um passo em falso ao adotar todas aquelas sanções supostamente em prol da liberdade de Bolsonaro e refez os cálculos.

Ele percebeu que a submissão almejada só excluía a humilhação, não precisava esculachar, doutor, e como o presidente brasileiro é, no início das contas, um populista de estirpe semelhante à sua. Trump descobriu o Brasil de verdade, digamos assim.

Lula se mostrou uma onça sem dentes, apesar de todos os rugidos na defesa da soberania, contra a vassalagem dos Bolsonaro, quem você pensa que é, e coisa e tal.

O chefão petista não moveu uma palha para ajudar os amigos ditadores que são alvo de Trump na América Latina, até porque não dispõe de palha nenhuma, e bastou um aceno para o “dinâmico” presidente brasileiro dar uma rebolada para o americano.

Mais importante do que tudo, Lula está disposto a negociar o que interessa com os Estados Unidos: a exploração conjunta de terras raras, os minérios estratégicos dos quais os americanos dependem da China, principalmente. As tarifas impostas aos exportadores brasileiros, veja só, funcionaram.

Com Flávio, a parceria seria apenas um tantinho mais fácil, sem mudança alguma no essencial. É sempre um prazer descobrir o Brasil.

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