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Mario Sabino

Há os filhos deles e há os nossos filhos

Os filhos deles, não os nossos, são de um talento extraordinário, e não só na advocacia, diga-se

10/07/2026 16:23, atualizado 10/07/2026 17:08
Tom Weller/picture alliance via Getty Image
Camisa 10 não iniciou nenhum jogo como titular da Seleção Brasileira na Copa do Mundo 2026 -- Metrópoles

Há os filhos (e mulheres) de ministros do STF e há os nossos filhos (e mulheres).

Eles, não os nossos, são de um talento extraordinário, e não só na advocacia, diga-se, embora esse seja o campo do conhecimento humano no qual esses superdotados mais exibem a sua inteligência, a sua vivacidade, o seu preparo intelectual.

Graças aos jornalistas Lucas Marchesini e Thaísa Oliveira, ficamos sabendo que um rebento do ministro Kássio Nunes Marques, advogado de apenas 25 anos, já construiu um patrimônio financeiro inalcançável para a imensa maioria de causídicos veteranos.

Com apenas dois anos de vida profissional, o rapaz acumulou R$ 27,7 milhões, aplicados em fundos de investimento.

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“Documentos da CVM enviados à CPI do Crime Organizado do Senado mostram um aumento do patrimônio de Kevin em 2025. Naquele ano, ele já tinha cerca de R$ 5 milhões em cotas de um fundo de renda fixa do Banco do Brasil. No segundo semestre, ele fez nova aplicação, de mais de R$ 22 milhões”, dizem os jornalistas.

Kevin, tal é o nome do nosso Cesare Beccaria, formou-se em fevereiro de 2025, abriu escritório próprio seis meses depois, mas os seus dons advocatícios não demoraram a ser notados. Ele arrebanhou clientes do porte da Refit e do Grupo Petrópoles, certamente ignaros da linhagem familiar do rapaz.

O filho de Nunes Marques é somente mais um caso impressionante dentre outros da genética especial de ministros do Supremo.

Temos também o filho de Luiz Fux, dono de um escritório espetacular no Rio de Janeiro. Rodrigo tem uma carteira de clientes que inclui a Petrobras e a Avon. Sim, a Petrobras, leitor.

Imagino que a ambição de Kevin e de Rodrigo seja superar os honorários da mulher do ministro Alexandre de Moraes, a doutora Viviane Barci de Moraes, outro talento insuspeito até sair a notícia de que o seu escritório havia abocanhado um contrato de R$ 129 milhões com o Banco Master.

Como se diz nas bancas de advocacia de São Paulo, a doutora Viviane Barci de Moraes é o Neymar da advocacia brasileira.

Há ainda a mulher… Não é mais mulher, é ex-mulher? Então, vamos deixar para lá, porque já basta que ex seja um problema eterno para o diretamente envolvido.

Eu disse que os filhos de ministros do STF não são prodigiosos apenas na advocacia, e há um exemplo fulgurante: o filho do decano, Francisco, é o mandachuva na CBF, apesar de não ter cargo na direção da entidade que dita os rumos (cada vez piores) do futebol nacional. Ele vai chegar lá.

O rapaz orgulha-se de ter sido o responsável pela convocação de Neymar, o jogador. Ou se orgulhava antes de a seleção brasileira, a pátria de chuteiras ungida pelo filho da toga, dar aquele vexame diante da Noruega.

Francisco começou emplacando o instituto do pai como mandante no campo da CBF Academy. O IDP ministra cursos de formação de negócios e gestão para profissionais da área esportiva e fica com 84% dessa bilheteria.

Há os filhos (e mulheres) dos ministros e há os nossos filhos (e mulheres). É porque há eles e todo o resto.