Caso Master: há quem se constranja no STF?
Se há ministros constrangidos, eles não vieram a público expressar o seu mal-estar, no que é lido como evidência de corporativismo

Há quem se constranja no STF com o fato de Alexandre de Moraes e Dias Toffoli estarem implicados no caso Master?
Se há ministros constrangidos, eles não vieram a público expressar o seu mal-estar, como se em respeito a códigos existentes, no que é lido pelo indistinto público como evidência de corporativismo e nada mais.
A pergunta me foi suscitada pela performance de Gilmar Mendes no programa Roda Viva.
Ao ser indagado sobre se ele se sentia constrangido com a revelação de que colegas seus mantinham relação de proximidade com Daniel Vorcaro, o decano se saiu com esta:
“Não há essa resposta de sim ou não, porque isso é uma armadilha. Na verdade, isso precisa ser olhado, porque não se trata de ter relações ou não ter relações. Se trata de saber que relações são essas.”
Mas e o contrato de R$ 129 milhões que Vorcaro firmou com o escritório de advocacia da mulher de Moraes?, questionou-se.
“Não vou entrar nisso, porque isso está sendo investigado”, respondeu Gilmar, como se fosse prática sua respeitar a regra de silêncio sobre assuntos em investigação na Justiça.
As relações de Moraes e Toffoli com Vorcaro estão muito claras na sua periculosidade, se não para o decano, para o resto da humanidade, ninguém precisa bancar o idiota da objetividade. Resta saber, apenas, se elas resultaram em algum ato de ofício para configurar crime.
Com crime configurado ou não, a infração moral é evidente. Lança um véu de desconfiança, mais um, sobre a instância máxima da Justiça brasileira e deveria causar constrangimento entre os pares dos ministros implicados.
Um constrangimento tão grande que seria impossível calar-se ou tergiversar a respeito, com a exceção necessária de André Mendonça, relator do caso Master no STF, em relação ao qual Gilmar Mendes não sente nenhum constrangimento em açoitar em público.



