O embate com Gilmar Mendes vira ativo na estratégia de Zema
A estratégia de buscar o confronto com o STF para isolar rivais no campo da direita
atualizado
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No jogo da sucessão presidencial, nem todo ataque é uma derrota. A reação vigorosa (irritada) do ministro Gilmar Mendes à peça satírica lançada por Romeu Zema revela uma mecânica política até que sofisticada: no atual cenário, ser alvo de uma notícia-crime do Supremo Tribunal Federal pode ser o passaporte para a liderança do campo bolsonarista, é ferramenta de posicionamento ideal.
O objetivo do ex-governador de Minas é claro: ocupar o espaço do candidato que não “teme” o enfrentamento institucional.
Sem entrar no mérito da peça em si, vemos em cena uma manobra de diferenciação. Enquanto outros nomes da direita tentam passar uma postura moderada, o que inclui evitar atritos com o Judiciário, Zema estica a corda deliberadamente.
Ao obter a reação de Gilmar Mendes, ele ganha o selo de “adversário oficial” do sistema que seus eleitores em potencial tanto criticam. É a política como construção de contraste: o processo movido pelo ministro do STF retira Zema da sombra, da baixa, e o coloca no centro da arena nacional.
É preciso notar que essa estratégia de atrair o “inimigo ideal” já se provou eficaz em pleitos anteriores. Ao se tornar foco, Zema sinaliza para o eleitorado conservador que ele é a alternativa real, capaz de vocalizar o que os outros apenas silenciam. A reação do ministro, embora baseada em fundamentos jurídicos, acaba funcionando nos bastidores como um potente cabo eleitoral, conferindo a Zema uma relevância que as inserções comerciais sozinhas não alcançariam.
Não se deve subestimar a capacidade de crescimento de quem entende o valor do conflito na pré-campanha. Se o bolsonarismo se vê desgastado por questões judiciais próprias, Zema entra no vácuo ao escolher sua própria batalha.
Por incrível que pareça, ser investigado em 2026 no âmbito do inquérito das fake news pode ser, ironicamente, o combustível necessário para consolidar um nome que ainda busca furar a bolha nacional.


