Moraes ignorou PGR ao ordenar busca por armas na casa de Bolsonaro
Ministro do STF Alexandre de Moraes autorizou busca por armas e munições na residência do ex-presidente Jair Bolsonaro sem ouvir a PGR antes

O ministro do STF Alexandre de Moraes ignorou a Procuradoria-Geral da República (PGR) ao ordenar uma operação de busca e apreensão na residência do ex-presidente Jair Bolsonaro, na quarta-feira (8/7).
Diferentemente de decisões recentes relacionadas ao ex-mandatário, Moraes não pediu, desta vez, manifestação prévia da PGR sobre a busca por armas e munições na casa de Bolsonaro, em Brasília.
À coluna, a assessoria de imprensa da Procuradoria confirmou que não emitiu parecer sobre a operação porque Moraes não abriu espaço para manifestação do Ministério Público Federal (MPF).
Interlocutores de Moraes no STF, por sua vez, argumentam que não havia necessidade de ouvir a PGR porque a prisão domiciliar humanitária estaria sujeita às mesmas regras da prisão comum.
Entre no canal de WhatsApp da Coluna Igor GadelhaNa cadeia comum, de acordo com esses interlocutores do ministro do Supremo, tanto o diretor do presídio quanto o juíz podem determinar, de ofício, a realização de buscas, caso seja necessário.
Moraes só intimou a PGR sobre a operação após as diligências terem sido concluídas. Na intimação, o ministro apenas deu ciência ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, sobre sua decisão.
A decisão de Moraes
O mandado assinado por Moraes previa a apreensão de armamentos, munições, acessórios, documentos de registro de armas e outros materiais eventualmente relacionados à investigação.
Segundo a defesa de Bolsonaro, nenhum desses itens foi encontrado durante as diligências realizadas pela Polícia Federal. A própria corporação também confirmou que nada foi achado.
Na decisão, Moraes argumentou que as buscas eram necessárias porque havia informações desencontradas sobre a quantidade de armas registradas em nome do ex-presidente.
Receba no seu email as notícias da coluna Igor Gadelha
Frequência de envio: Diário
Ver todasMoraes também ignorou PGR em 2025
Essa não foi a primeira vez que Moraes deu uma decisão sobre Bolsonaro sem consultar a PGR. Em 2025, ele não ouviu o órgão ao decretar a prisão domiciliar do ex-presidente pela primeira vez.
À época, a postura foi criticada por alguns especialistas em Direito. O argumento foi o de o caminho adotado pelo ministro do STF feria, em tese, o Código de Processo Penal (CPP).
Segundo advogados, desde 2019, juízes não podem mais decretar, substituir ou revogar medidas cautelares sem que haja o “requerimento do Ministério Público, do assistente da acusação ou do querelante”.















