Manoela Alcântara

MP junto ao TCU quer fiscalização de empréstimo do GDF com FGC de R$ 6,5 bilhões

Representação enviada ao TCU requer fiscalização e análise do empréstimo que visa salvar o BRB após escândalo do Banco Master

atualizado

metropoles.com

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Felipe Menezes/Metrópoles
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1 de 1 Imagem colorida da fachada do TCU - Foto: Felipe Menezes/Metrópoles

O Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União quer fiscalização e acompanhamento, com caráter prioritário, sobre a operação destinada a viabilizar empréstimo de até R$ 6,5 bilhões ao Banco de Brasília (BRB). A representação com o pedido, apresentada nesta sexta-feira (29/5), é assinada pelo subprocurador-geral Lucas Furtado.

O pedido de avaliação da transação pelo TCU baseia-se na informação de que os recursos a serem obtidos pelo Distrito Federal ocorrem junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

Para Furtado, o empréstimo ou um eventual descumprimento, com dívida de 15 anos, pode ter “reflexos relevantes sobre o equilíbrio federativo, sobre o sistema financeiro nacional e, em perspectiva, sobre a própria responsabilidade fiscal da União“, alega o subprocurador-geral.

Na representação, o pedido é para que o TCU avalie:

  • a operação em amplo aspecto abrangendo a observância da Constituição Federal e da Lei de Responsabilidade Fiscal;
  • a adequação aos limites de endividamento do Distrito Federal;
  • a sustentabilidade da dívida no longo prazo;
  • a conformidade com as normas do sistema financeiro nacional relativas ao FGC e à capitalização de instituições financeiras; e
  • os riscos fiscais diretos e indiretos para a União em diferentes cenários, inclusive de inadimplência.

Ao fim, o MP junto ao TCU pede pronunciamento sobre a regularidade ou irregularidade da operação. A representação é para que sejam fixadas, se necessário, medidas corretivas e preventivas, como a imposição de condicionantes, a determinação de ajustes, a recomendação de revisão ou não realização da operação e a sugestão de aperfeiçoamentos normativos aos órgãos competentes, se necessário.

O acordo

O ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), homologou, nesta quinta-feira (28/5), acordo fechado entre representantes do Governo do Distrito Federal (GDF) e da União para salvar o BRB, após escândalo do Banco Master. O consenso para aumentar a capacidade do GDF de pegar empréstimos ocorreu após duas reuniões no gabinete do magistrado, em Brasília.

“O Código de Processo Civil estimula a solução consensual das controvérsias, imponto ao juiz da causa que promova, a qualquer tempo, a autocomposição. Dispõe, ainda, caber ao relator homologar autocomposição a que chegaram as partes”, afirmou Fux ao assinar o acordo.

Ficou decidido que não haverá repasse da União na operação de crédito para salvar o BRB, mas 0 GDF poderá pegar com o FGC aproximadamente R$ 6,5 bilhões. 

O acordo costurado no STF prevê que a devolução de valores oriundos dos atos ilícitos envolvendo o Master serão prioritariamente direcionados ao pagamento do empréstimo, que será feito junto ao FGC. A devolução de dinheiro desviado é um dos pontos discutidos nas negociações sobre as delações de Daniel Vorcaro e de Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB.

O empréstimo de até R$ 6,5 bilhões terá fiança do Sindicato de Bancos e contragarantias a serem prestadas pelo GDF com cotas do Fundo de Participação dos Estados (FPE) e do Fundo de Participação dos Municípios (FPM).

Segundo o advogado-geral da União substituto, Flávio José Roman, não há recursos da União sendo transferidos, nem garantia ou aval da União em favor do DF. A operação seguirá os limites da resolução do Senado Federal, de empréstimo de 16% da receita corrente líquida do DF. “Isso dá em torno de R$ 6,5 bilhões para capitalização”, explicou.

“O que se firmou hoje é um acordo em que o governo da União, seguindo a diretriz do presidente Lula e da gestão da AGU, em parceria com a Secretaria do Tesouro Nacional, com Ministério da Fazenda, cientes da negociação tanto o Ministério Público Federal como também o Banco Central do Brasil e o FGC, todos cientes, com bastante transparência, com espírito republicano, sem olhar se o governador é de direita ou esquerda, ou de ideologia alguma, mas buscando o melhor para aqueles que residem no DF”, explicou Roman.

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