
Manoela AlcântaraColunas

Fachin diz que tratou com Moraes sobre fim do Inquérito das Fake News
Ministro afirma que investigação foi importante, mas alerta para risco de “remédio virar veneno”. Inquérito completou 7 anos
atualizado
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O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, afirmou que já conversou com o ministro Alexandre de Moraes sobre a necessidade de avaliar o momento de encerramento do Inquérito das Fake News.
Em conversa com jornalistas na tarde desta terça-feira (31/3), Fachin disse que, além de Moraes, tratou do tema com outros ministros da Corte. O inquérito completou sete anos neste mês.
Segundo o presidente do STF, a investigação teve papel relevante na defesa da democracia, mas é preciso discutir um “tempo razoável” para sua conclusão.
“O inquérito cumpriu uma função importante do ponto de vista da salvaguarda de prerrogativas dos ministros do Supremo que são fundamentais para a defesa do Estado de Direito e da democracia. E, portanto, é fundamental reconhecer a relevância que o inquérito teve e que em parte ainda pode ter, e vem assim o papel fundamental que vem sendo exercido pelo ministro Alexandre de Moraes, que é o relator desse inquérito. Nada obstante, naquele voto [APDF 572], eu disse que todo o remédio, a depender da dosagem, pode se transformar em veneno”, disse Fachin.
O ministro prosseguiu: “A questão é saber se chegou o momento e reconhecer que a relevância se postou e é fundamental que ela seja reconhecida, mas se é o momento de pensar no encerramento desse tipo de atividade. Eu já conversei sobre esse tema com o relator, ministro Alexandre de Moraes, tenho iniciado conversas com os demais ministros, portanto é um assunto que está na pauta”.
Fachin afirmou que o diálogo com os demais ministros busca compreender a percepção de cada um sobre o tema. Segundo ele, nas conversas com o relator, há abertura para o debate.
“O diálogo é prioritário com o próprio relator. Nesse sentido, o diálogo tem sido muito longo. Estou confiante por esta via e espero que seja a única via possível”, ponderou o presidente.
Inquérito
Aberto em 2019, a investigação corre em um inquérito sigiloso sob relatoria de Moraes. A investigação é alvo de críticas, sobretudo pelo campo da direita, que reclama de supostas violações à liberdade de expressão. Por outro lado, aqueles que defendem o inquérito o veem como uma ferramenta de combate às ameaças contra a democracia.
Recentemente, o inquérito teve novos desdobramentos após o ministro Alexandre de Moraes mandar apurar o vazamento de dados da Receita Federal envolvendo autoridades da Corte e parentes.
