
Lucas PasinColunas

Valéria Valenssa relembra depressão após deixar posto de Globeleza
Em entrevista exclusiva à coluna, Valéria Valenssa fala sobre perda, depressão e a evolução da imagem da mulher no Carnaval
atualizado
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Valéria Valenssa está de volta à vinheta de Carnaval da Globo após 21 anos fora do posto que a transformou em símbolo da folia. A ex-Globeleza, que ocupou a função entre 1990 e 2005, reaparece neste ano ao lado de Jorge Aragão, em uma dobradinha cheia de nostalgia.
Descoberta em 1990 por Hans Donner, Valéria virou presença fixa nas aberturas de Carnaval da TV Globo por 15 anos. Corpo pintado, samba no pé e poucos segundos de tela bastaram para transformar a vinheta em assunto anual, e a personagem, em marca registrada da emissora.
Em entrevista exclusiva a este colunista do Metrópoles, Valéria falou sobre o convite para retornar à vinheta. Segundo ela, a ligação da Globo chegou fora do plajenado.
“Foi uma surpresa linda. Recebi o convite no meio das férias em Recife e com muita emoção e gratidão. Fiquei em silêncio por alguns instantes, sentindo tudo. Não era apenas um convite profissional, era o reconhecimento de uma história que nunca deixou de existir. A Globeleza sempre morou em mim, e esse retorno veio como um reencontro cheio de afeto, maturidade e sentido”, contou Valéria.
Muito além do corpo pintado
A imagem da Globeleza sempre esteve associada ao corpo feminino, o que rendeu debates ao longo dos anos. Para Valéria, o sucesso da personagem não se sustentou apenas nisso.
“Será que apenas o corpo sustentaria tudo isso? Eu acredito que não. Ali existia um conjunto: a assinatura do Hans Donner, que sempre trouxe nas aberturas a beleza e a sensualidade da mulher brasileira com arte, estética e conceito. E eu dando vida ao personagem com meu carisma, a dança e o meu estilo de samba, isso criou uma linguagem própria”, avaliou Valéria.
O Carnaval mudou
A ex-Globeleza também comenta como a leitura sobre a mulher no Carnaval mudou ao longo do tempo. Segundo ela, a festa deixou de ser uma vitrine única e passou a comportar outros discursos.
“O mundo evolui, tudo evolui, e a sociedade também. Hoje entendemos que a mulher no Carnaval é muito mais do que corpo: é cultura, identidade, liderança, força criativa e história. O corpo continua sendo expressão, mas não é mais o único discurso. Existe espaço para essência, trajetória e voz, e isso é um avanço necessário e bonito”, afirmou Valéria.
Longe do brilho da vinheta
Em 2005, Valéria deixou o posto de Globeleza e, posteriormente, relatou ter enfrentado um quadro de depressão. O tema ainda aparece quando ela revisita aquele período.
“A minha depressão veio a partir de uma perda. Eu não estava preparada para administrar aquela perda e acabei entrando em um universo profundo de tristeza, mesmo tendo tudo ao meu redor. Muitas pessoas não entendem que a depressão não escolhe cenário, ela tira o prazer de viver. E imagina isso acontecendo comigo, que sempre fui sinônimo de alegria”, relatou Valéria.
O tempo passou
Questionada sobre o que mudou entre a Globeleza do passado e a mulher que retorna agora à vinheta, Valéria faz um balanço. Para ela, o tempo tratou de reorganizar as prioridades.
“Mudou muita coisa com o tempo, mas o essencial permanece. A minha verdade sempre esteve aqui. O Carnaval fez parte da minha história e da minha trajetória, mas hoje volto mais madura, mais inteira e mais consciente de quem sou, não apenas como imagem, mas como mulher, com história e propósito”, concluiu Valéria.













