Por que Itamaraty impôs sigilo aos telegramas com EUA sobre a JBS
Em resposta à Câmara, Itamaraty explicou por que governo Lula classificou dois telegramas com os EUA sobre a JBS como "sigilosos"

O Itamaraty explicou à Câmara dos Deputados por que o governo Lula colocou sigilo sobre telegramas trocados com os Estados Unidos entre 14 e 31 de julho do ano passado e que citavam a JBS, empresa dos irmãos Wesley e Joesley Batista.
A informação foi enviada à Câmara na sexta-feira (9/1), em resposta a um requerimento de informação do deputado Capitão Alberto Neto (PL-AM), sobre dois telegramas diplomáticos que mencionavam a JBS.
De acordo com a resposta do ministério, há um possível prejuízo às relações entre o Brasil e os Estados Unidos caso as informações se tornem públicas, ainda mais em razão das atuais negociações comerciais entre os dois países.
“No caso dos Estados Unidos, ademais, como é de conhecimento público, encontram-se em curso negociações relativas a temas comerciais, circunstância que também se enquadra nos requisitos de classificação mencionados e enseja cuidado ainda maior no manejo de informações sensíveis”, afirma a pasta.
O Itamaraty também deu alguns detalhes sobre as mensagens em questão. Diz, por exemplo, que a JBS é “citada ao lado de outras empresas brasileiras nos telegramas, sem qualquer foco particular”.
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Frequência de envio: Diário
Ver todasO primeiro telegrama, segundo o ministério, trata de dados sobre investimentos de empresas brasileiras nos Estados Unidos, e o segundo aborda a visita a Washington da Comissão Temporária Externa sobre as Relações Econômicas com os Estados Unidos (CTEUA) do Senado brasileiro.
“Os documentos situam-se no contexto das negociações tarifárias em curso com o governo norte-americano, limitando-se a avaliar impactos, estratégias e cenários relacionados à pauta econômico-comercial entre os dois países”, afirma o ministério.
Joesley nos EUA
Joesley, que é empresário e acionista da J&F, dona da JBS, esteve nos Estados Unidos, em setembro, para conversar com o presidente americano, Donald Trump, sobre a taxação da carne brasileira no país.
Além disso, como mostrou o Metrópoles na coluna Grande Angular, Joesley atuou quase como um “embaixador” informal na última semana, por causa dos ataques do EUA à Venezuela.
O dono da J&F viajou de Washington, nos Estados Unidos, até Caracas, onde falou com a presidente interina venezuelana, Delcy Rodríguez. Em seguida, retornou aos EUA para dar relato sobre o que encontrou na Venezuela ao governo de Donald Trump.
Segundo fontes a par das conversas, Joesley Batista teria relatado ao governo americano cenário de estabilidade na Venezuela, após a prisão de Nicolás Maduro, no dia 3 de janeiro de 2026.
Procurada, a J&F informou que o empresário Joesley Batista “não é representante de qualquer governo”.










