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CGU confirma fraude de ONG que recebeu emendas de R$ 53 milhões de deputados do DF

Relatório da CGU enviado ao STF aponta irregularidades e sobrepreços em contratos com a Associação Moriá. Metrópoles revelou o caso

atualizado

metropoles.com

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Associação Moriá
1 de 1 Associação Moriá - Foto: Arte/Metrópoles

Em relatório entregue ao Supremo Tribunal Federal (STF), a Controladoria-Geral da União (CGU) apontou que a Associação Moriá “não detém capacidade técnica e operacional necessárias para a execução do volume de recursos federais que recebeu”.

A organização da sociedade civil (OSC) foi indicada para receber R$ 74 milhões por meio de emendas parlamentares entre 2023 e 2024. Dessas, R$ 53 milhões eram provenientes de políticos do Distrito Federal, e a maioria dos recursos foi destinada a um projeto gamer.

O documento destacou que a associação “não comprovou possuir estrutura material própria ou quadro de pessoal compatível para executar com segurança o vulto dos repasses que recebe”. A coluna Grande Angular, do Metrópoles, revelou que a Moriá é gerida por laranjas: os diretores são motorista, esteticista e ex-cabo do Exército.

CGU confirma fraude de ONG que recebeu emendas de R$ 53 milhões de deputados do DF - destaque galeria
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Associação Moriá, alvo da Polícia Federal, organizou o Jedis
Trecho do atestado técnico da Associação Moriá
Emendas dos parlamentares do DF para a Associação Moriá
Sede da Associação Moriá vazia, em Brasília
Fotos do atestado de capacidade técnica da Associação Moriá
Projeto gamer da Associação Moriá, no Rio de Janeiro
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Projeto gamer da Associação Moriá, no Rio de Janeiro

Associação Moriá
Associação Moriá, alvo da Polícia Federal, organizou o Jedis
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Associação Moriá, alvo da Polícia Federal, organizou o Jedis

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Trecho do atestado técnico da Associação Moriá
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Trecho do atestado técnico da Associação Moriá

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Emendas dos parlamentares do DF para a Associação Moriá
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Emendas dos parlamentares do DF para a Associação Moriá

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Sede da Associação Moriá vazia, em Brasília
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Sede da Associação Moriá vazia, em Brasília

Fotos do atestado de capacidade técnica da Associação Moriá
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Fotos do atestado de capacidade técnica da Associação Moriá

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A auditoria revelou que os contratos de parceria fechados com órgãos públicos “apresentam orçamentos genéricos que favorecem o sobrepreço”.

No Ministério dos Esportes, houve evidência de superfaturamento de R$ 1,73 milhão por locações diárias de TI [tecnologia da informação]. Na Secretaria-Geral da Presidência, houve “inexecução total da fase pedagógica do projeto Enem” e, no Ministério da Cultura, houve rompimento da rastreabilidade financeira, segundo a CGU.

Após receber o relatório da CGU, o ministro Flávio Dino — que é o relator da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) que trata da transparência e da rastreabilidade das emendas parlamentares — determinou que o documento fosse encaminhado à Polícia Federal.

“Encaminhe-se o 10º Relatório Técnico da CGU à Diretoria-Geral da Polícia Federal, a fim de que sejam tomadas as providências devidas no âmbito de sua competência, fazendo-se a juntada em Inquéritos já existentes ou instaurando novos”, escreveu.

Em julho de 2025, a PF e a CGU deflagraram a Operação Korban, que investiga as irregularidades na Associação Moriá. À época, os órgãos cumpriram 16 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo STF, nas seguintes unidades da Federação: Acre, Paraná, Goiás e Distrito Federal.

Emendas do DF

No ano passado, o Metrópoles revelou que parlamentares do Distrito Federal destinaram R$ 53,3 milhões, em dois anos, para a Associação Moriá.

A maior fatia do valor milionário, de R$ 46 milhões, foi enviada a um programa para crianças e adolescentes aprenderem a jogar os games Free Fire, Valorant, LoL, Teamfight Tactics e eFootball.

Os parlamentares que mais enviaram dinheiro para o projeto de jogos on-line foram o deputado federal Fred Linhares (Republicanos), que indicou R$ 27,6 milhões, e o senador Izalci Lucas (PL), responsável por R$ 15,5 milhões.

Veja quem enviou emenda para o projeto gamer no DF, entre 2023 e 2024:

  • deputado federal Fred Linhares (Republicanos): R$ 27,6 milhões;
  • senador Izalci Lucas (PL): R$ 15,5 milhões;
  • deputada federal Bia Kicis (PL): R$ 1,5 milhão;
  • deputado federal Julio Cesar (Republicanos): R$ 800 mil; e
  • deputada distrital Paula Belmonte (Cidadania): R$ 500 mil.

Após a divulgação do caso, os parlamentares suspenderam os repasses que ainda não tinham sido pagos.

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