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É o bicho!

Urso-pardo bloqueia trilha e deixa 4 alpinistas presos em montanha

Quatro pessoas foram resgatadas após ficarem presas em uma montanha no Japão, em meio a um recorde histórico de ataques de ursos no país

06/07/2026 17:01
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Wirestock
Urso-pardo em floresta

Quatro alpinistas foram resgatados por um helicóptero após ficarem isolados por três horas e meia ao encontrarem um urso-pardo em uma montanha de Hokkaido, no norte do Japão. O grupo fazia uma caminhada por volta das 14h30 de sábado (4/7) quando avistou o animal na trilha, a cerca de 50 metros de distância.

Com o caminho bloqueado, os alpinistas não conseguiram continuar a descida e ficaram isolados. As autoridades foram acionadas e retiraram todos do local em segurança e sem ferimentos.

O encontro aconteceu no mesmo dia em que o Monte Rausu foi reaberto para caminhantes pela primeira vez desde agosto de 2025, após ter sido fechado devido ao ataque fatal sofrido por um jovem de 26 anos. O incidente reacendeu as discussões sobre a segurança de turistas e moradores na região, motivando alertas para que os visitantes fiquem atentos à agressividade dos animais.

Ataque de ursos no Japão

A crise envolvendo ataques de ursos no Japão tem se agravado nos últimos meses. Dados oficiais apontam que, além do susto enfrentado pelos alpinistas em Hokkaido, cinco pessoas morreram no país devido a investidas de animais desde abril, o que tem obrigado o governo japonês a adotar medidas drásticas e emergenciais para conter o avanço dos predadores.

Urso-pardo em tronco
A escassez de alimentos nas florestas montanhosas tem forçado os animais a descerem para áreas urbanas e centros de cidades no Japão

Por que os ursos se tornaram um problema no país?

O avanço dos animais sobre áreas urbanas e turísticas está diretamente ligado a um desequilíbrio ecológico nas florestas. Segundo um relatório do Ministério do Meio Ambiente do Japão, a escassez e o impacto na quantidade de frutos secos ou nozes de outono nas florestas montanhosas forçam os ursos a ir para as vilas em busca de comida, aumentando sua presença para zonas urbanas e centros de cidades.

Esse movimento gerou uma crise sem precedentes, descrita pelo governo japonês como “uma situação grave que ameaça a segurança e a paz de espírito dos cidadãos”. No ano fiscal de 2025, o país atingiu o ápice da crise ao registrar número histórico em quatro categorias: volume de avistamentos, acidentes com humanos, feridos e mortos, totalizando 238 pessoas.

Como resposta ao recorde histórico de 13 mortes desse ano e 238 incidentes no ano anterior, o governo alterou a legislação para permitir a caça de emergência com armas de fogo dentro de zonas residenciais urbanas. A nova lei de proteção e gestão entrou em vigor em setembro de 2025 e já havia sido acionada 60 vezes até o encerramento do ano fiscal, em março de 2026, para lidar com as invasões de ursos.

imagem colorida de várias frutas frescas
O Ministério do Meio Ambiente recomenda gerenciar de forma rigorosa resíduos e frutas caídas para evitar a atração de ursos

Recomendações oficiais para evitar ataques

Para mitigar os riscos e proteger a população, o relatório do Ministério do Meio Ambiente incluiu três diretrizes públicas fundamentais sobre como agir em áreas de risco. A primeira regra oficial orienta os cidadãos a evitar o habitat natural dos animais, instruindo que a população não deve entrar em zonas de floresta habitadas por ursos e, se necessário, utilizar objetos barulhentos e sprays repelentes.

A segunda recomendação foca em eliminar atrativos nas cidades, exigindo que moradores gerenciem de forma rigorosa tudo o que possa atrair os animais para o perímetro urbano. O documento lista que devem ser escondidos resíduos como frutas abandonadas em árvores, comida de animais de estimação, compostores de adubo, plantações de hortas caseiras e lixo colocado na rua à noite.

Por fim, o governo divulgou um protocolo claro de comportamento para os casos em que o encontro com os ursos seja inevitável. O manual instrui que, ao cruzar com o animal, o cidadão deve manter a calma, nunca virar as costas ao e afastar-se lentamente. Se o ataque for iminente, a pessoa deve proteger a face e a cabeça com os braços e se deitar de bruços no chão.