77% da população já teve prejuízos ligados a eventos climáticos extremos

Segundo pesquisa feita por empresa brasileira, 8 em cada 10 brasileiros afirmam conhecer alguém que já teve dificuldades causadas pelo clima

atualizado

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Com o avanço do aquecimento global, a ocorrência de eventos climáticos extremos no Brasil, como secas prolongadas, chuvas torrenciais ou ondas de calor intensas, tem se tornando cada vez mais comum. Como consequência, um novo estudo brasileiro identificou que 77% dos brasileiros já tiveram prejuízos causados pelos fenômenos. 

Ainda de acordo com a investigação, os danos não se restringem a porções específicas do país e oito em cada 10 brasileiros afirmam conhecer alguém que já passou por dificuldades causadas por eventos de clima extremo.

O levantamento realizado pela Descarbonize Soluções, uma empresa brasileira especialista em energia solar e sustentabilidade, abordou os impactos financeiros, psicológicos e de comportamento causados nos brasileiros pelo avanço das mudanças climáticas.

Os resultados da análise têm índice de confiabilidade de 95% e a margem de erro é de 3,3 pontos percentuais. Eles foram divulgados em 25 de maio.

Foram entrevistados 500 adultos em todas as regiões do Brasil conectados à internet. Os participantes responderam oito perguntas sobre experiências com eventos climáticos extremos, impactos, perspectivas sobre o futuro e mudanças de comportamento motivadas pela crise climática.

“Quando 77% da população relata ter sofrido algum prejuízo causado por eventos extremos, fica claro que estamos diante de um fenômeno que afeta não apenas o meio ambiente. Estamos falando de impactos concretos sobre moradia, renda, saúde, deslocamento e qualidade de vida”, afirma a gerente da Descarbonize Soluções, Milena Andrade.

Mudanças não são apenas no clima, mas também no comportamento do brasileiro

Os dados encontrados na investigação apontam que há mudanças no comportamento dos brasileiros quando o assunto são os efeitos causados pelas alterações climáticas. Entre os principais achados, estão:

  • 91% dos entrevistados disseram já ter deixado de fazer ou repensado planos devido às mudanças climáticas;
  • Destes, 25% dos entrevistados já reavaliaram viagem para algum destino, 23% repensaram sobre comprar um imóvel em determinadas regiões e 12 % em fazer investimentos de longo prazo;
  • 68% passaram a se preocupar com o futuro após ter conhecimento de notícias sobre eventos climáticos extremos.

Ainda foi detectada uma descrença para o futuro. De acordo com a pesquisa, cinco em cada 10 brasileiros acham que as próximas gerações terão problemas maiores que os atuais em relação às alterações no clima e eventos climáticos extremos.

“Os eventos climáticos já interferem na forma como os brasileiros enxergam oportunidades, investimentos e até mesmo onde desejam viver. São questões que passam pelo aspecto psicológico e também já têm influência no dia a dia dos brasileiros”, avalia Milena.

Em relação aos efeitos psicológicos, 52% dos entrevistados relataram ter receios frequentes com a ocorrência de eventos climáticos extremos. Além disso, 66% afirmaram já ter procurado suporte para lidar com as preocupações, sendo 27% através de conversas com amigos e familiares, 19% por conteúdos na internet e 14% com psicólogos.

Dá para reverter o cenário?

Ainda é possível diminuir o aquecimento global e os eventos climáticos extremos. Para a missão, as ações devem ter um objetivo principal: diminuir as emissões de gases de efeito estufa, responsáveis por causar o calor exacerbado na Terra e as mudanças climáticas. Entre as principais medidas, estão:

  • Ampliar o uso de energias renováveis;
  • Combater o desmatamento;
  • Utilizar água, luz e energia de forma mais responsável;
  • Disseminar ainda mais a educação climática.

Além disso, Milena aponta que as empresas também têm papel de atuação na reversão do clima. “É muito importante que as instituições se comprometam, a partir de suas áreas de atuação, a reduzir os impactos e que, em paralelo, se desenvolvam tecnologias para minimizar aqueles que já trouxeram consequências”, conclui a gerente.

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