Mordedores ajudam a reduzir o estresse e estimular a mente dos cães
Especialista orienta como usar mordedores de forma correta para conter a destruição de móveis em casa e estimular o foco dos cães

O hábito de roer objetos e superfícies é um comportamento natural dos cães. Desde os primeiros meses de vida, os filhotes utilizam a boca de forma ativa para explorar o ambiente ao redor e amenizar os incômodos associados ao crescimento dos dentes. Oferecer mordedores e brinquedos específicos ajuda a estimular a “energia mental” do pet, servindo como uma ferramenta indispensável de enriquecimento ambiental dentro de casa.
Quando o cão não encontra uma válvula de escape correta para morder, é comum que ele acabe destruindo móveis, sapatos e almofadas. A falta desse tipo de entretenimento gera tédio e pode abrir portas para a ansiedade.
Por isso, os mordedores cumprem um papel fundamental. Para ajudar os tutores a entender a prática, o veterinário João Paulo Lacerda esclarece os cuidados com a troca de dentes, a escolha dos materiais mais seguros e como despertar o interesse do pet pelo brinquedo.

Alívio na troca e limpeza dos dentes
Durante a fase de crescimento, entre os três e sete meses de idade, a troca dos dentes causa bastante incômodo nos cães.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesNessa etapa, a mastigação prolongada ajuda a aliviar o desconforto na gengiva. O ideal é escolher opções macias e adequadas para filhotes, já que produtos muito duros podem machucar a boca em desenvolvimento.
Além do alívio, o atrito gerado ao roer ajuda a diminuir o acúmulo de placa bacteriana, auxiliando na higiene bucal. Porém, eles funcionam apenas como um complemento e não substituem a escovação diária. João Paulo Lacerda lembra que se o tártaro já estiver grudado no dente, só o veterinário consegue remover.

Riscos de lesões e a escolha do material mais seguro
A escolha do mordedor deve levar em conta o porte, a idade e a força da mordida do cão. Modelos de borracha maleável costumam ser os mais seguros, enquanto os de nylon são muito resistentes para cães de mordida forte. Já os chifres e cascos exigem cautela pelo risco de quebrar os dentes. Além disso, o tamanho deve ser grande o suficiente para o pet nunca engolir o objeto inteiro.
O especialista alerta que “mordedores excessivamente duros podem causar desgaste dentário, fraturas dos dentes, lesões na gengiva e até perfurações na cavidade oral”.
Uma orientação é evitar produtos tão rígidos que não cedam levemente à pressão da unha ou que possam quebrar um dente durante a mastigação. É importante observar o cão durante o uso.

Efeito no sistema nervoso e o fim da destruição dos móveis
Morder um objeto adequado ajuda a estimular áreas do cérebro ligadas ao relaxamento, liberando substâncias que trazem a sensação de bem-estar.
Segundo João Paulo Lacerda, coordenador do curso de medicina veterinária do Centro Universitário de João Pessoa (Unipê), a mastigação prolongada “estimula áreas cerebrais relacionadas ao relaxamento e pode favorecer a liberação de neurotransmissores associados ao bem-estar do animal. Por isso, muitos cães ficam mais tranquilos após alguns minutos mastigando um objeto adequado”.
Para fazer a transição do “móvel proibido” para o brinquedo certo, o tutor deve oferecer o mordedor antes que o cão procure o lugar errado, elogiando e dando petiscos sempre que ele acertar. Se o pet ignorar o item novo, vale recheá-lo com patês ou alimentos úmidos e guardar o objeto após a brincadeira, mantendo o interesse pelo fator novidade.





