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É o bicho!

Labrador que se tornaria cão-guia morre ao comer planta tóxica

Caso gerou alerta; tutora defende que uma simples placa de advertência poderia ter evitado a morte do cão

14/07/2026 19:45
Divulgação
Labrador que foi envenenado

Um passeio de rotina por um condomínio residencial em Sorocaba, no interior de São Paulo, se transformou em uma tragédia que deixou em alerta tutores de todo o país. O labrador Atlas, de apenas 1 ano, morreu após ingerir um fruto de Cycas revoluta, conhecida popularmente como cica, uma das plantas ornamentais mais tóxicas para animais de estimação

O pet estava na fase final para se tornar um cão-guia que ajudaria pessoas com deficiência visual. A tutora temporária do animal, Maria Júlia Cesarano, relatou a dor de perder o bicho por desconhecimento do risco. “Eu nunca soube que era uma planta tóxica”, desabafa.

A fatalidade interrompeu um ciclo de solidariedade, já que os filhotes do programa social de formação de cães-guia vivem com famílias voluntárias para aprender a conviver em sociedade antes do treinamento especializado.

Maria preparou a residência para receber o cão, mas não pôde previa o perigo presente nas áreas comuns

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“Eu retirei as plantas consideradas tóxicas do meu quintal. A única que permaneceu estava nas áreas comuns do condomínio. Nunca imaginei que ela pudesse matar”, relembra a voluntária. O acidente ocorreu de forma muito rápida enquanto o cão, ativo e acostumado a explorar ambientes, caminhava pelo espaço residencial. 

Cachorro em tratamento após envenenamento por Cica
O labrador Atlas, em fase final de socialização para se tornar cão-guia, morreu após ingerir o fruto de uma das plantas mais tóxicas para animais de estimação

O passeio de rotina e a ingestão acidental da planta tóxica

Acostumado a passear com seu colete de identificação por diversos espaços públicos, o labrador passeava normalmente pelo condomínio quando encontrou a semente da cica caída no chão. Sem saber do perigo, a tutora não conseguiu evitar o contato a tempo, confundindo a estrutura com um elemento inofensivo da natureza local. A semente alaranjada e avermelhada acabou chamando a atenção do cão em formação.

A tutora chegou a acreditar que fosse apenas mais um “coquinho”, semelhante a outros que ocasionalmente apareciam no local e que nunca haviam causado problemas na saúde do animal. Porém, menos de uma hora após a ingestão, os primeiros sintomas graves de envenenamento começaram a se manifestar no organismo do labrador. As toxinas presentes em certas plantas de jardim agem de forma rápida, exigindo uma reação imediata de ajuda médica.

Planta venenosa para os animais
Classificada no nível máximo de risco para pets, a cica está entre as plantas ornamentais potencialmente fatais devido aos graves danos rápidos que causa ao organismo do animal

Os sintomas intensos e a batalha no hospital veterinário

Atlas apresentou episódios de vômitos intensos e foi imediatamente encaminhado para um hospital veterinário da região, onde recebeu atendimento médico de emergência.

A equipe de plantão realizou lavagem gástrica e internação imediata para tentar estabilizar o paciente. Durante cerca de 10 dias, os veterinários lutaram continuamente para tentar reverter as lesões provocadas pelo fruto.

Apesar de os esforços da equipe médica serem intensos, a intoxicação evoluiu de forma grave no organismo do animal, resultando na morte do cachorro. A semente da cica pode provocar lesão hepática aguda, diarreia, distúrbios de coagulação, convulsões e óbito. 

Para Maria Júlia, a perda foi devastadora porque o cão estava pronto para o treinamento definitivo. “Esse era o propósito de vida dele”, lamenta.

Foto colorida de garoto em cadeira de rodas acariciando cão
Especialistas apontam que a identificação e o alerta sobre plantas tóxicas em áreas comuns de condomínios são essenciais para evitar novas fatalidades

Conscientização no paisagismo e a classificação de risco

Após a fatalidade com o cão-guia, a administração do condomínio tomou a decisão de remover todas as cicas plantadas nas áreas comuns dos moradores.

Defensores da causa animal apontam que a informação correta é a melhor ferramenta para proteger os pets.

O projeto Jardim do Bicho enquadra a cica no nível máximo de risco, denominado Potencialmente Fatal, em uma escala desenvolvida para alertar a sociedade sobre a toxicidade de diferentes plantas decorativas.

Para a pesquisadora Simone Nascimento, coordenadora do projeto, a maior barreira para evitar acidentes é a falta de informação de quem compra plantas ou projeta jardins. “A maioria das pessoas escolhe uma planta pela beleza ou pela resistência, sem jamais receber qualquer informação sobre sua toxicidade. Casos como o do Atlas demonstram que a falta de conhecimento pode ter consequências irreversíveis”, alerta a especialista. 

A tutora também defende que avisos visuais poderiam mudar esse cenário. “Uma simples placa de advertência talvez tivesse evitado essa fatalidade. Eu nunca tinha ouvido falar dos riscos da cica”, conclui, reforçando que a conscientização teria poupado a vida de Atlas.