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É o bicho!

Pet com diarreia e perda de peso? Saiba como tratar a giárdia

Veterinário detalha como o protozoário age no intestino do pet, desmistifica os riscos de zoonose e ensina como limpar o ambiente

06/07/2026 02:00
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Getty Images
Imagem colorida de cachorro com gato

A giárdia não é um verme, mas sim um protozoário microscópico chamado Giardia duodenalis que coloniza o intestino delgado de cães, gatos e outros mamíferos. A contaminação do pet ocorre pela via fecal-oral, através da ingestão acidental de cistos presentes em águas, alimentos ou superfícies infectadas.

O parasita se instala diretamente na mucosa e adere às células intestinais, prejudicando a absorção de nutrientes. O quadro pode provocar inflamações e má digestão nos animais, exigindo atenção redobrada dos tutores em relação à higiene.

Embora muitos pets permaneçam infectados sem manifestar sintomas clínicos, o principal sinal de alerta da infecção ativa é a diarreia. O problema costuma se apresentar de aspecto pastoso ou aquoso, com odor intenso, muco e, ocasionalmente, sangue.

cachorro de porte pequeno sendo avaliado
Pets com sintomas como diarreia pastosa e perda de peso exigem atenção imediata do tutor

Sintomas da infecção e mito da transmissão humana

Os animais doentes também podem apresentar perda de peso, flatulência, desconforto abdominal, vômitos ocasionais e redução de apetite. Filhotes, idosos ou imunossuprimidos tendem a desenvolver quadros mais intensos, necessitando de diagnóstico rápido.

O medo de que a giárdia passe facilmente para os seres humanos é comum, mas a transmissão direta é menos frequente do que se imagina. Isso acontece porque os genótipos mais comuns em cães (C e D) e gatos (F) são diferentes dos que infectam humanos (A e B).

O contato casual ou as lambidas do pet no rosto também não são as principais vias de transmissão, a menos que o animal tenha resíduos fecais na boca ou pelos.

A veterinária Luciana Lara esclarece que a transmissão ocorre quando uma pessoa ingere os cistos, reforçando a importância de lavar as mãos após o manejo de caixas de areia ou fezes na rua.

Reinfecção constante e falhas da automedicação

Muitos tutores enfrentam crises repetidas com o seu pet e acreditam que o parasita ficou resistente. Porém, o problema real costuma estar na persistência ambiental. Os cistos possuem uma parede protetora que lhes permite sobreviver por semanas ou meses em ambientes úmidos, favorecendo a recontaminação

Para quebrar o ciclo, o especialista não recomenda o uso repetitivo de remédios sem critérios e, sim, focar na higienização do lar. O recolhimento imediato das fezes e a lavagem com água sanitária, amônia quaternária ou peróxido de hidrogênio combatem a giárdia no ambiente.

A luz ultravioleta do sol é outra grande aliada, sendo indicado expor caminhas e comedouros já lavados diretamente à luz solar. Além disso, em lares com múltiplos animais que compartilham espaços, o tratamento de todos os pets, inclusive os assintomáticos, deve ser feito de forma simultânea.

Gato branco e laranja bebendo água
Para evitar o contágio do pet, a eliminação dos cistos do parasita no ambiente depende da higienização rigorosa e da exposição das caminhas ao sol

Vacinação e regras de ouro no dia a dia

No mercado, existe uma vacina para cães que atua reduzindo a disseminação dos cistos, mas não impede a infecção e nem elimina o problema. Por isso, a imunização não deve ser a única medida, e o foco principal deve estar no manejo preventivo.

As regras de ouro incluem impedir que o animal beba água de poças na rua, oferecer água potável em vasilhas limpas e recolher as fezes nos passeios. O tutor deve evitar que o pet tenha contato com dejetos de outros animais e manter exames de rotina.

Por fim, a profissional alerta que o uso de vermífugos ou antibióticos por conta própria ao notar diarreia é um erro. A automedicação atrasa o diagnóstico, mascara sintomas e gera falhas terapêuticas que mantêm a giárdia ativa.