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Mamífero reaparece após 110 anos e já muda ecossistema na Argentina
Retorno da lontra-gigante ao norte da Argentina marca avanço da conservação e reacende esperança para a biodiversidade sul-americana
atualizado
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Um feito considerado impensável até pouco tempo atrás está mudando o cenário ambiental da América do Sul. Após mais de 110 anos sem registros, a lontra-gigante voltou a habitar a região do Chaco argentino.
A espécie, que havia desaparecido da região no início do século 20 devido à caça predatória e à destruição de habitats, foi reintroduzida nas águas do rio Bermejo como parte de um projeto de conservação liderado por organizações ambientais.
Considerada um predador de topo, a lontra-gigante desempenha um papel essencial na regulação das cadeias alimentares.
Sua ausência, ao longo de mais de um século, provocou desequilíbrios, como o crescimento descontrolado de algumas populações de peixes e alterações nos ambientes aquáticos.
Agora, com sua volta, cientistas já observaram o chamado “efeito cascata trófica”, em que toda a cadeia alimentar começa a se reorganizar.
Esse impacto ocorre de forma rápida. Nas primeiras semanas após a reintrodução, pesquisadores registraram mudanças no comportamento de outras espécies, incluindo aumento na presença de aves aquáticas nas áreas frequentadas pelas lontras — um sinal de que o ecossistema começa a recuperar sua complexidade natural.
Presença da lontra modifica o ambiente na Argentina
Além de predadora eficiente, a lontra também modifica fisicamente o ambiente. Ao escavar tocas e criar trilhas nas margens dos rios, o animal contribui para a formação de novos micro-habitats, favorecendo a biodiversidade.
O retorno da espécie é visto como um marco da estratégia conhecida como “rewilding” — ou seja, a reintrodução planejada de animais para restaurar funções ecológicas perdidas.
Especialistas apontam que iniciativas como essa podem revitalizar biomas inteiros em pouco tempo, especialmente quando envolvem espécies-chave.
Apesar do sucesso inicial, os desafios permanecem. A sobrevivência da lontra-gigante no Chaco depende da proteção contínua contra caça ilegal, da preservação dos rios e da criação de corredores ecológicos.
