4 animais exclusivos da América do Sul que estão ameaçados de extinção
Mais de 1,5 mil espécies sul-americanas já enfrentam ameaça; quatro são exclusivas do continente e têm risco crescente de extinção
atualizado
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A fauna da América do Sul abriga um número significativo de espécies endêmicas — que não existem em nenhuma outra parte do mundo. No entanto, os animais vivem sob pressão e em risco de extinção devido à destruição de seus habitats naturais.
A pressão vem da soma de desmatamento, avanço urbano e alteração das áreas florestais, o que resulta na redução dos espaços para a alimentação e reprodução dos animais. Como consequência, esses grupos ficam vulneráveis a perigos como doenças, fome e conflitos com atividades humanas.
Além disso, o encolhimento das áreas preservadas facilita a aproximação da fauna silvestre com animais domésticos, redes elétricas e zonas agrícolas. Essa proximidade cria um ciclo difícil de ser rompido, no qual espécies já frágeis são expostas a riscos adicionais.
4 animais da América do Sul ameaçados de extinção
O urso-de-óculos (Tremarctos ornatus, na foto em destaque), único urso nativo da América do Sul, ocupa as regiões montanhosas dos Andes e depende diretamente da preservação das áreas montanhosas e florestais.
O mico-leão-preto (Leontopithecus chrysopygus), encontrado em partes isoladas do interior de São Paulo, sofre muito com a redução e o isolamento das áreas contínuas de mata, que são fundamentais para a locomoção e reprodução da espécie.

A arara-azul-de-lear (Anodorhynchus leari), só é encontrada em regiões muito restritas da Caatinga baiana. Sua sobrevivência está ligada à existência de poucas áreas de alimentação, principalmente os licurizeiros. Essa dependência faz com que elas fiquem sensíveis a qualquer tipo de alteração nesse nicho específico.

O sauim-de-coleira (Saguinus bicolor), encontrado em áreas restritas do Amazonas, vive um dilema exclusivamente urbano, no qual a sobrevivência da espécie depende de trechos de floresta que se sobrepõem à área urbana de Manaus. Isso faz com que eles fiquem vulneráveis a todos os riscos que se originam do contato com humanos.

Esses quatro animais têm distribuição limitada e precisam de condições muito específicas para sobreviver, o que os torna mais sensíveis a mudanças rápidas no ambiente. O biólogo Fernando Magnani, da MP Fauna Ambiental, de São Paulo, destaca que a expansão humana abre caminho para novos riscos.
“A abertura de estradas em áreas de floresta cria rotas por onde cães domésticos avançam e transmitem doenças como sarna, cinomose e parvovirose a espécies que não têm imunidade”, afirma Magnani.
Alteração do habitat natural
A redução do habitat é um dos principais fatores de declínio populacional. Por isso, a perda dessas áreas naturais tem encurralado as espécies em espaços cada vez menores.
Trechos de floresta que antes eram contínuos viraram ilhas isoladas separadas por plantações, estradas e áreas degradadas. Isso afeta desde o caminho que cada animal percorre até a forma como encontra parceiros e alimento.
“Populações isoladas tendem ao declínio e à extinção local, porque a fragmentação impede que esses animais circulem, mantenham variabilidade genética e encontrem recursos suficientes para sobreviver”, explica a professora de biologia Janaine Kunrath, da Academia Donaduzzi, no Paraná.
A arara-azul-de-lear, por exemplo, sente esse impacto de forma imediata. Antes, as árvores garantiam parte da alimentação da espécie. Com o desaparecimento, se vai também a segurança de que haverá comida na época de seca.
Tráfico, caça e outros vetores humanos
A captura ilegal também continua sendo um obstáculo para a recuperação dessas espécies. A arara-azul-de-lear esteve perto de desaparecer após décadas de retirada de filhotes para venda clandestina, principalmente para colecionadores estrangeiros.
O sauim-de-coleira também enfrenta esse problema. Parte das ocorrências de apreensão envolve animais destinados à criação doméstica, o que reduz ainda mais os grupos que permanecem na natureza.
“Fatores ambientais têm acelerado significativamente o risco de extinção das espécies na América do Sul, principalmente relacionados à perda de habitat, mudanças climáticas e degradação ambiental”, destaca Juliana Cunha Vidal, coordenadora do curso de biologia da Unisuam, no Rio de Janeiro.
Além disso, o efeito é cumulativo. Ou seja, quanto mais pressionados, mais vulneráveis esses animais ficam a doenças, estresse, perda de filhotes e dificuldade para manter rotas de deslocamento para sobreviver e se reproduzir.
