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Abril Laranja alerta para maus-tratos e sofrimento emocional em pets
Abril Laranja é o mês de conscientização acerca do sofrimento emocional em pets. Veterinária revela sinais comportamentais de maus-tratos
atualizado
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Neste mês, é celebrado o Abril Laranja. A data é marcada pelo debate sobre maus-tratos contra animais e chama atenção para, além da violência física, a capacidade dos bichinhos de sentirem dor, medo e angústia de forma consciente. A ação ainda reforça que o cuidado com o emocional é um pilar fundamental na medicina veterinária — já que está associado ao sucesso dos tratamentos clínicos.
Na rotina de hospitais e clínicas, profissionais devem ficar atentos a sinais que, às vezes, não são físicos. Medo extremo ao toque, apatia profunda e comportamento “congelado” são alguns dos sintomas de uma violência que não necessariamente deixa marcas físicas. Nesse caso, como os animais não falam, o olhar do veterinário deve ir além do técnico.
Carolina Marques, médica-veterinária, afirma que o profissional é a voz do pet que sofreu algum tipo de abuso ou negligência. “Nossa missão é garantir uma documentação minuciosa e laudos que comprovem tecnicamente qualquer situação de crueldade. Seja um caso de agressão direta ou de abandono silencioso, o acolhimento técnico é o que garante a proteção jurídica e a vida do paciente”, explica.
Como identificar sofrimento
A especialista comenta que a ciência veterinária comprova que a violência e o estresse crônico geram sequelas orgânicas. Ou seja, um animal traumatizado possui níveis elevados de hormônios do estresse — o que impacta o sistema imunológico e atrapalha a cicatrização de cirurgias, por exemplo.

Confira alguns dos sintomas emocionais e físicos que podem ser observados:
- Comportamental: medo paralisante ao toque, agressividade por autodefesa ou falta de reação a estímulos que deveriam gerar alegria.
- Físico: desnutrição severa, feridas não tratadas, infestação massiva de parasitas e fraturas em diferentes estágios de cicatrização.
“Um pet psicologicamente estável e sem dor se recupera muito mais rápido. A educação do tutor sobre a guarda responsável, que inclui check-ups, nutrição correta e um ambiente seguro, é a maior ferramenta para que a crueldade perca espaço”, destaca a profissional da WeVets.

Notificar é dever do profissional
Carolina lembra que, diante de qualquer suspeita fundamentada de maus-tratos, veterinários devem seguir os protocolos éticos e legais do Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV).
Sabendo disso, é dever profissional notificar órgãos competentes e delegacias especializadas em caso de violência e crueldade animal. Essa atitude garante que o ciclo seja interrompido e que o pet receba o suporte necessário para se reabilitar.










