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Pressionados, vereadores tentam anular apoio à CPI do Carnaval em SP
Gabriel Abreu alega que cometeu “ato falho”. Silvão Leite citou um “lapso involuntário” para endossar CPI
atualizado
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Dois vereadores da base aliada do prefeito Ricardo Nunes (MDB) apresentaram pedidos à mesa diretora da Câmara Municipal de São Paulo para terem suas assinaturas retiradas do requerimento de criação da CPI do Carnaval, proposto pela oposicionista Amanda Paschoal (PSol). Os pedidos foram rejeitados.
A volta atrás aconteceu nesta quarta-feira (4/3), um dia depois de o requerimento atingir o número mínimo necessário de endossos para ser protocolado. No mesmo dia, à noite, esta coluna noticiou o protocolo e citou que três vereadores haviam assinado o pedido: Silvão Leite (União), Adilson Amadeu (União) e Gabriel Abreu (Podemos).
O apoio a uma CPI que tem tudo potencial de avançar sobre uma pauta que fragilizou a gestão Nunes, com a demissão do presidente da SPTuris e do secretário adjunto (e ex-secretário) de Turismo, incomodou a base do prefeito, que cobrou os três aliados.
Abreu, que é marido da presidente nacional do Podemos, a deputada federal Renata Abreu, se defendeu no grupo de Whatsapp dos vereadores, logo após publicação desta coluna, dizendo ter sido um “ato falho”.
“Eu não sou traidor, nem sou contra o Carnaval. Apoio o governo Ricardo Nunes desde o governo anterior e assim seguirei até o final. Não será uma assinatura equivocada que vai abalar minha relação sólida e fiel. Amanhã mesmo vou me informar como eu posso retirar a assinatura, pois jamais apoiaria a mesma. Infelizmente a mídia deu publicidade a este ato falho”.
No mesmo dia, Abreu assinou requerimento pedindo para sua assinatura digital ser retirada do requerimento de pedido de CPI. Segundo ele, houve “equívoco de digitação do código para assinatura virtual, redundando em erro material no momento da coleta do apoiamento à referida propositura“, não refletindo a “real deliberação” do mandato.
Já Silvão Leite, que é fundador e presidente da escola de samba Estrela do Terceiro Milênio, alegou que assinou o pedido de CPI do Carnaval por “um lapso involuntário, um engano material ocorrido em meio a natural dinâmica do plenário e a grande quantidade de pedidos de assinaturas que acontecem legitimamente durante os trabalhos“.
O regimento interno da Câmara Municipal de São Paulo, porém, diz de forma objetiva que “assinaturas que se seguirem à do autor (…) não poderão ser retiradas após sua entrega à Mesa”. Assim, ambos os pedidos foram rejeitados. Agora, a ideia da base de Nunes é tentar barrar a CPI no plenário.
