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Demitido da SPTuris após denúncia tem casa de R$ 4,6 milhões e Porsche

Gustavo Pires foi demitido do comando da SPTuris em meio a suspeitas sobre contratos. Ele diz que os bens foram adquiridos de forma regular

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Fabio Vieira/Especial Metrópoles e Reprodução/Instagram
Fotomontagem de Gustavo Pires, ex-presidente da SPTuris, e da casa dele ao fundo em São Paulo - Metrópoles
1 de 1 Fotomontagem de Gustavo Pires, ex-presidente da SPTuris, e da casa dele ao fundo em São Paulo - Metrópoles - Foto: Fabio Vieira/Especial Metrópoles e Reprodução/Instagram

Gustavo Garcia Pires tinha apenas 25 anos e um Volkswagen Polo 2012 quando foi contratado pela Prefeitura de São Paulo como secretário-executivo em 2018, ainda na gestão do ex-prefeito Bruno Covas (PSDB), de quem era amigo. Oito anos depois, ele deixa a administração municipal após ser demitido do comando da SPTuris pelo prefeito Ricardo Nunes (MDB), em meio a suspeitas sobre contratos, com um patrimônio que inclui uma casa luxuosa avaliada em R$ 4,6 milhões e um Porsche.

Gustavo Pires (foto em destaque) iniciou sua carreira meteórica na prefeitura como braço-direito de Covas — morto em 2021 — e terminou no cobiçado cargo de chefe da SPTuris, empresa municipal de turismo responsável por grandes eventos na cidade, como o Carnaval. Na noite de quarta-feira (25/2), a trajetória teve fim em meio a uma série de reportagens da coluna Demétrio Vecchioli, do Metrópoles, que mostraram suspeitas sobre contratos milionários na estatal comandada por ele.

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Fachada antiga da casa comprada por Gustavo Pires
Casa comprada por Gustavo Pires durante a reforma, em 2023
Fachada da casa em 2023 após a reforma
Fachada atual da casa de Gustavo Pires
Lateral da casa de Gustavo Pires
Vista aérea da casa de Gustavo Pires
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Vista aérea da casa de Gustavo Pires

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Casa comprada por Gustavo Pires durante a reforma, em 2023
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Casa comprada por Gustavo Pires durante a reforma, em 2023

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Vista aérea da casa de Gustavo Pires

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A evolução patrimonial seguiu o mesmo ritmo do crescimento de Gustavo Pires na política paulistana – antes de ser demitido por Nunes, ele ganhava cerca de R$ 30 mil de salário e mais R$ 12 mil em jetons. Somando os imóveis e os carros localizados pela reportagem, o valor de mercado do patrimônio de Pires chega a cerca de R$ 6,5 milhões.

Ao Metrópoles Pires afirmou, por meio de nota, que “todos os bens foram adquiridos de forma regular, com recursos provenientes de rendimentos acumulados ao longo de sua trajetória profissional, financiamento bancário e patrimônio familiar recebido por meio de inventário formalizado após o falecimento de seu pai, em 2021, com o devido recolhimento dos tributos aplicáveis”.

Negócios imobiliários

Poucos anos após entrar na prefeitura, Gustavo Pires comprou, em maio de 2021, um casarão em um terreno de 487 metros quadrados no Sumaré, bairro de classe média alta da zona oeste de São Paulo.

De acordo com documentos obtidos pelo Metrópoles, o valor de compra do imóvel registrado em cartório foi de R$ 1,45 milhão – sendo aproximadamente metade disso financiado. O montante é bem abaixo do que se encontra em imóvel parecido na mesma região – o valor de referência estimado pela própria prefeitura para o imóvel na época era de R$ 3,23 milhões.

Desde então, o sobrado de muro baixo, construído em 1963, passou por uma reforma que mudou radicalmente o visual do imóvel ao longo de 2023. Agora, o casona tem um muro branco e portão preto, com um visual mais moderno. Do alto, é possível ver um amplo quintal com piscina, sofás e espreguiçadeiras.

De acordo com documentos apresentados à Junta Comercial, a casa, avaliada hoje pela prefeitura em R$ 4,6 milhões, é o atual endereço do Gustavo Pires.

No fim do ano passado, o então presidente da SPTuris fez mais uma aquisição imobiliária na capital. Uma empresa dele, a MOT Patrimonial, comprou um apartamento com área total de 122 m² no Itaim Bibi, bairro nobre da zona oeste paulistana, por apenas R$ 486 mil – os imóveis no prédio hoje estão à venda por cerca de R$ 1,2 milhão, enquanto o valor de referência era de R$ 628 mil.

A reportagem apurou que, no nome dessa mesma empresa, também estão registrados dois carros: um Polo seminovo e um Porsche preto Boxter 2024. Este último, um conversível, tem preço estimado na casa dos R$ 550 mil e chega a 275 km/h.

Os bens estão registrados numa estrutura de camadas. A empresa MOT Patrimonial é sediada em Socorro, no interior de São Paulo, com capital social de R$ 15 mil, que, por sua vez, tem como sócia a Atug Administração de Bens Próprios, da qual Gustavo Pires é sócio.

Amigo de Covas e suspeitas

Gustavo Pires assumiu o cargo devido à proximidade com o ex-prefeito Bruno Covas, de quem era amigo. Após a morte do tucano, ele foi deslocado do cargo de secretário-executivo no gabinete do prefeito para a presidência da SPTuris.

No cargo, Pires ganhou protagonismo pela organização de eventos, como a NFL, de futebol americano, e arrebanhou mais de 200 mil seguidores no Instagram. A SPTuris é responsável, entre outras atividades, pelo Carnaval de São Paulo.

A queda do chefe da estatal se deu em meio a reportagens do Metrópoles mostrando suspeitas sobre contratações da empresa MM Quarter, que tem R$ 232 milhões em contratos com a prefeitura, incluindo a organização do Carnaval. A empresa está registrada no nome de uma laranja do secretário-adjunto de Turismo, Rodolfo Marinho, que foi demitido com Pires.

Ao Metrópoles a assessoria de Gustavo Pires afirmou que o imóvel no Sumaré foi comprado “por meio de financiamento ativo e ainda em curso, nas condições de mercado vigentes à época da negociação”.

“O apartamento localizado no Itaim Bibi foi adquirido em 2025 e, em razão de sua antiguidade e estado de conservação, demandava reforma relevante, fator que influenciou o valor da transação”, afirmou.

Já a empresa MOT Patrimonial, diz a nota, “é uma empresa regularmente constituída e utilizada exclusivamente para organização patrimonial”. Segundo Pires, “todos os bens e recursos encontram-se devidamente declarados às autoridades competentes e são compatíveis com a renda e evolução patrimonial ao longo dos anos”.


Demissão pelas redes

  • O prefeito Ricardo Nunes (MDB) anunciou, na noite de quarta-feira (25/2), pelas redes sociais, a demissão de Gustavo Pires e de Rodolfo Marinho, que é ligado ao vereador Gilberto Nascimento Jr. (PL).
  • No vídeo publicado no Instagram, Nunes conta que determinou que a Controladoria-Geral do Município (CGM) investigasse o caso ainda na sexta-feira (20/2), após a reportagem da coluna Demétrio Vecchioli, e que a CGM descobriu uma procuração de Nathália Carolina de Silva Souza, sócia formal da Quarter, para Rodolfo Marinho, sem dar mais detalhes.
  • “Vocês devem ter acompanhado, no dia 20 saiu uma matéria trazendo denúncias sobre uma empresa fornecedora da Prefeitura de São Paulo. Hoje, a Controladoria me trouxe documentos referentes a essa apuração. Dentro desses documentos, uma procuração da Nathália para o secretário-adjunto Rodolfo Marinho. Por causa disso, estou demitindo, exonerando, o senhor Rodolfo Marinho.”
  • No mesmo vídeo, Nunes também anunciou a nomeação do Coronel Marcelo Salles, ex-comandante da Polícia Militar, para presidir a SPTuris, demitindo Gustavo Pires sem mencionar o nome dele. Salles foi vereador pelo PSD e subprefeito da Sé.

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