Demétrio Vecchioli

BRB: Gestão de Costa tratava carteiras do Master como “objetivo estratégico”

Relatório obtido pelo Metrópoles aponta que comprar carteiras era parte da estratégia do BRB para adquirir o Banco Master

atualizado

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1 de 1 brbmaster - Foto: Arte/Metrópoles

A compra frenética de carteiras de crédito consignado do Banco Master, mesmo após saber que muito do que estava sendo vendido era podre, era tratada pela diretoria comandada por Paulo Henrique Costa como um “objetivo estratégico” do Banco de Brasília (BRB). Era parte do “Projeto Vértice”, plano para para adquirir o Master.

Essa informação consta em documentos internos do BRB obtidos com exclusividade pelo Metrópoles.

As compras dos ativos do Master pelo BRB começaram em julho de 2024, ganharam fôlego entre janeiro e fevereiro de 2025, quando o Projeto Vértice ainda era sigiloso. Depois, as aquisições dispararam entre março e julho, enquanto o BRB tentava convencer o Banco Central a aprovar a compra do Master.

As transações eram fracionadas até um teto de R$ 750 milhões para não precisar passar pelo Conselho de Administração do BRB, de acordo com a documentação.

Ao mesmo tempo, de acordo com representação da Polícia Federal que embasou a prisão preventiva de Costa nessa quinta (16/4), Paulo e Vorcaro discutiam a transferência de R$ 146 milhões em imóveis a título de propina.

A informação de que a compra de ativos do Master era parte da estratégia do Projeto Vértice aparece, por exemplo, em uma Nota Executiva conjunta assinada em 26 de maio por quatro áreas distintas do BRB. Um dos que assinam o documento é Dario Oswaldo Garcia Junior, então diretor executivo de Finanças e Controladoria do BRB e articulador da compra do Master.

O documento tratava de mais uma compra de até R$ 750 milhões em carteiras do Master. Ao contextualizar o negócio, os executivos explicam que o BRB havia comunicado o mercado sobre a formalização da compra do Master, que as relações haviam se iniciado a partir das “sinergias identificadas” após a compra das primeiras carteiras e destacam que a diretoria do banco havia determinado que as áreas técnicas encontrassem novas carteiras para serem compradas.

“Dessa forma, a estratégia de aquisição de carteira de crédito do Banco Master, em consonância ao Projeto Vértice, desempenha um papel crucial na realização dos objetivos estratégicos do BRB definidos pela administração“, escrevem os executivos do BRB.

No mesmo documento, eles lembram que haviam informado a diretoria colegiada, órgão formado pelo presidente do BRB e pelos diretores executivos, que as carteiras compradas em 2025 estavam repletas de irregularidades.

Parte das carteiras descumpriam o que previam os contratos. Isso porque, no papel, os ativos deveriam ser de crédito consignado, mas na prática eram negociados outros tipos de crédito, que nem eram originados do Master. Àquela altura, o Master havia se comprometido a não vender carteiras de terceiros.

O Master também não havia apresentado lastro como previa os contratos, concedido acesso ao sistema de averbação ou apresentado relatório de auditoria, que também eram suas obrigações.

Ainda assim, a conclusão era que realizar mais um negócio do tipo era bom para o BRB porque atenderia o projeto de comprar o Master. “A operação está em consonância com o Planejamento Estratégico do Banco e com o Projeto Vértice”, justificava a diretoria.

“Pressa anormal”

A representação da PF que embasou a decisão do ministro André Mendonça de determinar a prisão preventiva de Costa, diz que conversas entre o ex-presidente do BRB e Dário mostram “pressa anormal na liquidação, aceitação de sucessivas alterações contratuais, priorização de pagamento no mesmo dia e disposição para flexibilizar limites internos e segmentar compras em tranches, evitando o reinício do rito ordinário de aprovação, segundo o ministro do STF“.

“Soma-se a isso a desconsideração de pareceres jurídicos contrários, de registros da Diretoria de Riscos e, mais adiante, dos relatórios do Grupo de Trabalho que apontavam ausência de repasses, problemas de averbação, inexistência de documentos comprobatórios, padronização anômala de contratos e relatos de clientes que sequer reconheciam as contratações. Em tese, portanto, não se cuida de erro isolado, mas de atuação funcional reiterada voltada à preservação do negócio espúrio”, continuou Mendonça.

Negócios escusos justificados pelo “Projeto Vértice”

Como mostrou a coluna, o BRB pagou R$ 500 milhões para comprar duas vezes a mesma CCB (Cédula de Crédito Bancário) de um frigorífico do Mato Grosso. O dinheiro nunca chegou à empresa, tendo sido depositado em um fundo da Reag que dizia ter investido tudo em precatórios de longo prazo.

Isso é exatamente o que a Polícia Federal aponta como modelo de fraude da dupla Master/Reag: o montante saía do Master disfarçado de empréstimo, chegava a um fundo da Reag, e acaba desviado para interesses pessoais de Vorcaro. O dinheiro “virava pó” e nunca mais voltaria à origem, o Master.

O relatório de riscos produzido a respeito da compra desta carteira pelo BRB citava que o negócio fazia parte da estratégia do “Projeto Vértice”, assim como a troca de carteiras podres por direitos creditórios da empresa Wish S.A. “A operação está inserida no contexto do ‘Projeto Vértice’, que visa à incorporação do Banco Master ao Conglomerado Prudencial do BRB”, disse o relatório interno do BRB.

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