Demétrio Vecchioli

Advogado preso por estruturar propina é acionista do BRB

Daniel Monteiro detém cerca de 3,4 milhões de ações do BRB, que o acusa de ser laranja de Daniel Vorcaro

atualizado

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Ilustração/Metrópoles
Ilustração do Daniel Vorcaro, Daniel Monteiro e sede do Banco Master
1 de 1 Ilustração do Daniel Vorcaro, Daniel Monteiro e sede do Banco Master - Foto: Ilustração/Metrópoles

O advogado Daniel Monteiro é acionista do BRB. Preso na quinta-feira (16/4) por decisão do ministro André Mendonça, ele é acusado de estruturar o pagamento de propina a Paulo Henrique Costa, então presidente do Banco de Brasília.

Em 26 de fevereiro, quando o Tribunal de Justiça do Distrito Federal (TJDF) acatou uma liminar pedida pelo BRB e determinou o bloqueio das ações controladas por ele e outros réus, Monteiro detinha 282.278 ações ordinárias do Banco de Brasília e outras 3.133.814 ações preferenciais.

Atualmente isso equivale a cerca de R$ 13,5 milhões.

Como mostrou a coluna Grande Agular, Monteiro é acusado pelo BRB de ter atuado como laranja de Daniel Vorcaro, João Mansur e Maurício Quadrado na compra de ações do Banco de Brasília.

Um relatório produzido pela Kroll aponta que o controlador do Master, o advogado e diversas outras empresas, fundos e pessoas teriam agido de forma coordenada para assumir o controle acionário do banco de forma oculta e fragmentada, para viabilizar e perpetuar a venda de carteiras de crédito “podres” ou inexistentes.

Os aumentos de capital privado do BRB, denominados ACP 1 e ACP 2, ocorreram entre 2024 e 2025. Na primeira rodada, dois empresários que já tinham participação acionária compraram cotas para em seguida repassá-las aos fundos Verbier (controlado por Maurício Quadrado) e Borneo (pelos filhos de João Carlos Mansur, da Reag).

Uma vez acionistas, estes fundos puderam participar da segunda rodada, adquirindo cotas que foram sendo repassadas por meio do “ecossistema” do Master.

Monteiro comprou ações dos fundos Delta e Borneo e depois vendeu parte delas para os fundos 936 FIM e Bandeirante. Para realizar as aquisições, o advogado contraiu dois empréstimos, de R$ 84,2 milhões, junto à Cartos Sociedade de Crédito Direto, que é a empresa que depois criaria a Tirreno, apontada pelo Master como a originária das carteiras podres vendidas ao BRB.

No processo que corre no Tribunal de Justiça do Distrito Federal (TJDF), o BRB argumenta que essas operações demonstram uma “dependência financeira absoluta” de Daniel Monteiro em relação ao crédito estruturado pela Cartos.

O banco destaca como indício de fraude o fato de os empréstimos terem sido liberados exatamente nos valores e datas necessários para as compras das ações, reforçando a tese de circularidade de recursos dentro do ecossistema Master/Reag para ocultar os reais beneficiários do controle acionário do BRB.

Em fevereiro, o TJDF atendeu pedido liminar do BRB a determinou o bloqueio de todas as ações do BRB pertencentes aos réus no processo, incluindo Monteiro. De acordo com o BRB, essas ações, que somavam R$ 367 milhões em fevereiro, representavam aproximadamente 23,5% do capital social do BRB no final de 2025.

No início de 2024, a participação desses agentes no banco era de apenas 0,0007%. O salto para 23,5% em menos de dois anos é apontado pelo BRB como uma evidência de um ingresso coordenado e artificial.

Daniel Monteiro ainda não se manifestou nos autos. A coluna não conseguiu contato com sua defesa.

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