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Fictor ia comprar R$ 1 bilhão em ações do BRB, desistiu e abriu espaço para Master e Reag

Documento obtido pelo Metrópoles mostra que a Machado Meyer, responsável por auditoria no BRB, aponta possível “alinhamento de interesses”

atualizado

metropoles.com

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1 de 1 brb - Foto: Arte/Metrópoles

A Fictor se comprometeu a investir R$ 1 bilhão na compra de ações do Banco de Brasília (BRB), desistiu em cima da hora e acabou abrindo espaço para que o Banco Master e a Reag, ambos liquidados pelo Banco Central, virassem donos de 25% do BRB.

Segundo a Machado Meyer, que produziu relatório de auditoria sobre os negócios malsucedidos do BRB, a gestão conduzida por Paulo Henrique Costa esperava que a Fictor se tornasse um dos principais acionistas do banco no aumento de capital realizado em 2024.

A Fictor sofreu derrocada no fim de 2025 e entrou em recuperação judicial na semana passada. Há dois anos, o cenário parecia diferente. A empresa assinou Compromisso de Investimento por meio do qual declarou intenção irrevogável e irretratável de subscrever totalidade das ações ofertadas pelo BRB. Eram 17,5 milhões de ações ordinárias e 100.843.196 ações preferenciais ao preço de R$ 8,45, totalizando aproximadamente R$ 1 bilhão.

Mas o aporte não se consumou. “Em lugar do desembolso, sucederam-se pleitos de prorrogação e alegações de impossibilidade operacional de cumprir os prazos pactuados, o que, na prática, esvaziou o compromisso e frustrou o aporte pactuado”, disse a Machado Meyer em documento de 23 de fevereiro de 2026 enviado à 13ª Vara Cível de Brasília e obtido pelo Metrópoles.

Ao desistir do negócio, a Fictor abriu espaço para a substituição por fundos ligados ao Master e à Reag que ingressaram no capital do BRB por meio de empresários de Brasília que já eram acionistas, como revelou a coluna.

A 13ª Vara Cível de Brasília atendeu ao pedido do BRB e bloqueou as ações do banco, que foram parar nas mãos do Master e da Reag, em fevereiro.

Fictor tenta comprar Master

O BRB e o Master já tocavam negócios juntos àquela altura. O BRB adquiriu carteiras de crédito do Master entre 2024 e 2025. Em paralelo, tentou comprar o banco, mas operação foi rejeitada pelo Banco Central, em setembro de 2025.

A Fictor, então, voltou ao cenário. Após o BC negar a compra do Master pelo BRB, a Fictor foi anunciada como nova interessada em adquirir a instituição que passava por crise de liquidez – o negócio acabou com a liquidação do Master, em novembro de 2025.

Segundo a Machado Meyer, que fez a auditoria no BRB, a Fictor foi apresentada ao BRB por um advogado que, posteriormente, passou a intermediar negociações com o Master. 

“A sequência factual e a sobreposição de papéis justificam atenção reforçada quanto a potenciais conflitos e alinhamentos de interesses”, diz o escritório responsável pela auditoria independente.

Empresários laranjas

O documento da Machado Meyer obtido pela reportagem revela que o uso de empresários Leonardo Ávila e Adalberto Valadão para dar direito de compra das ações aos fundos configura burla às normas.

Segundo a auditoria independente, a situação, aliada à falta de documentos, reforça “o caráter dirigido e centralizado da alocação”.

“Nesse contexto, sob a perspectiva formal-documental, o que se observa é uma sequência de aquisição das ações pelas pessoas físicas, seguida de alienação aos fundos, para burlar a restrição de compra de ações apenas por acionistas do BRB até a data de corte (17/5/2024). Não se identificaram roadshows, diligências independentes ou debates técnicos substanciais entre representantes dos fundos e as áreas técnicas do BRB – lacuna documental que reforça o caráter dirigido e centralizado da alocação”, diz trecho do documento da auditoria.

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