Caso Master: defesa diz que atuação de advogado preso foi “técnica”

Daniel Monteiro foi preso na última quinta (16/4) e foi apontado como “operador” de esquema de pagamentos ao ex-presidente do BRB

atualizado

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1 de 1 daniel monteiro - Foto: Reprodução

A defesa de Daniel Monteiro, advogado preso na última quinta-feira (16/4) sob suspeita de envolvimento no escândalo do Banco Master, rebateu as acusações de que ele teria participado da ocultação da origem de valores repassados ao ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa.

Em nota, os advogados afirmam que a atuação profissional de Monteiro “sempre se deu de forma estritamente técnica”.

Monteiro foi preso em mais uma fase da operação da Polícia Federal que investiga fraudes envolvendo o Banco Master. Ele era próximo de Daniel Vorcaro, dono da instituição, e sócio de um escritório que prestou serviços ao banco.

Ao autorizar a prisão, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), descreveu o advogado como um “operador técnico e estrutural da engrenagem criminosa”.

Segundo Mendonça, investigações da Polícia Federal indicam que Monteiro teria atuado para dar respaldo jurídico a “operações fraudulentas” na transferência de ativos do Master para o BRB. Ele também foi apontado como responsável pela “arquitetura societária e financeira destinada à aquisição e ocultação dos imóveis atribuídos a Paulo Henrique”.

De acordo com a PF, o ex-presidente do BRB teria recebido seis imóveis como pagamento por favorecer a compra de carteiras do Master. Os bens, de alto padrão, localizados em São Paulo e Brasília, são avaliados em cerca de R$ 146,6 milhões. Desse total, R$ 74,6 milhões já teriam sido pagos, segundo a investigação.

A defesa sustenta que a “criação de empresas, fundos e outras estruturas é parte da atividade regular da advocacia”.

Em outro trecho da nota, os advogados afirmam que o “eventual uso indevido dessas estruturas por clientes não pode ser automaticamente atribuído aos advogados”.

“Sendo necessária prova de participação direta e consciente em qualquer irregularidade, o que não se presume”, acrescentam.

Os defensores também informaram que o escritório do qual Monteiro fazia parte prestou serviços ao Banco Master entre 2022 e 2025, acumulando mais de 180 mil horas de trabalho e cerca de 28 mil processos judiciais.

Eles também afirmam que Daniel Monteiro segue “à disposição das autoridades e confia que os fatos serão devidamente esclarecidos”.

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