
Claudia MeirelesColunas

Sono ruim pode afetar imunidade e aumentar risco de doenças cardíacas
Especialista em sono alerta para distúrbios comuns, prejuízos para a saúde e explica como melhorar a qualidade do descanso
atualizado
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Dormir mal vai muito além do cansaço no dia seguinte. A falta de sono de qualidade pode comprometer o sistema imunológico, prejudicar a concentração e até aumentar o risco de doenças cardiovasculares. Especialistas reforçam a importância de manter hábitos saudáveis de descanso, pois o problema é mais comum do que parece. Segundo a Associação Brasileira do Sono, cerca de 70% dos brasileiros sofrem com algum tipo de distúrbio.
Para a pneumologista e médica do sono Raíssa Dantas, do Hospital e Maternidade São Luiz Osasco, os efeitos aparecem rapidamente na rotina.
“Uma noite mal dormida pode provocar cansaço excessivo, irritabilidade, fadiga e dificuldade de concentração. São sintomas que impactam diretamente a qualidade de vida”, explica.
Além disso, a privação de sono também pode comprometer a imunidade, deixando o organismo mais vulnerável a infecções.

Distúrbios mais comuns
Os distúrbios do sono são condições que prejudicam a duração ou a qualidade do descanso, impedindo que o corpo alcance o chamado sono reparador.
Entre os mais comuns estão a insônia, a privação crônica do sono e a apneia do sono, que pode ser classificada em três tipos: obstrutiva, central ou mista.
A apneia obstrutiva ocorre quando há obstrução parcial ou total das vias respiratórias durante o descanso. Já a apneia central é caracterizada por pausas na respiração causadas pela redução ou ausência do estímulo respiratório do sistema nervoso central, podendo estar associada a condições como insuficiência cardíaca ou ao uso de medicamentos que reduzem esse estímulo. A apneia mista combina características dos dois tipos.
Segundo a especialista, a apneia é o distúrbio respiratório mais frequente. Estudos do Instituto do Sono indicam que cerca de 30% da população apresenta o problema.
Entre os fatores que podem favorecer o distúrbio estão obesidade, enfraquecimento dos músculos da garganta e alterações craniofaciais.
“Essas interrupções repetidas da respiração durante o sono estão associadas ao aumento do risco de problemas cardiovasculares, como hipertensão e AVC”, destaca a médica.
Sinais de alerta
Alguns sintomas podem indicar que a qualidade do descanso não está adequada. Os principais são:
- Cansaço excessivo durante o dia
- Sensação de cansaço ao acordar
- Ronco frequente
- Dificuldade para iniciar ou manter o sono
Nesses casos, a recomendação é procurar avaliação médica. O diagnóstico pode incluir exames como a polissonografia, que monitora diferentes parâmetros do organismo durante o sono.
“No caso da apneia, a polissonografia tipo 3 é um dos exames mais utilizados e pode ser feita em casa. O paciente utiliza um dispositivo simples com sensores que registram os movimentos respiratórios, a oxigenação do sangue, a posição corporal e o fluxo de ar durante a respiração”, explica Raíssa Dantas.
Segundo a especialista, o equipamento registra essas informações ao longo da noite, permitindo identificar pausas respiratórias e confirmar o diagnóstico.

Dicas para melhorar a qualidade do descanso
Pequenas mudanças na rotina podem fazer grande diferença na qualidade do descanso. Entre as principais recomendações estão:
- Manter horários regulares para dormir e acordar, inclusive nos fins de semana
- Dormir entre 7 e 9 horas por noite
- Evitar telas, especialmente o celular, próximo ao horário de dormir
- Deitar apenas quando estiver cansado
- Evitar refeições pesadas antes de dormir
- Manter o quarto silencioso, escuro e com temperatura confortável
Outro ponto de atenção é o uso de melatonina sem orientação médica.
“A melatonina é um hormônio produzido pelo próprio organismo, responsável por regular o relógio biológico e sinalizar ao corpo que está na hora de dormir. Diferentemente do que muitos pensam, ela não é um indutor direto do sono”, explica a especialista.
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