Nutricionista responde: alimentos que “gastam calorias” existem?
Nutricionista esclarece o que há de verdade por trás dos alimentos termogênicos, da saciedade e do gasto calórico na digestão

Em tempos de dicas para “ativar o metabolismo” e promessas de emagrecimento rápido, voltou a circular nas redes a ideia de que alguns alimentos fariam o corpo gastar mais calorias do que fornecem. Mas, na prática, essa lógica não funciona exatamente assim.
Segundo a nutricionista esportiva Vanessa Mara Lodi, a noção de que existem alimentos com “calorias negativas” é um mito popular, embora tenha origem em um conceito real da nutrição: o efeito térmico dos alimentos.
“Do ponto de vista estritamente científico, não existem alimentos que tenham ‘calorias negativas’. O que existe é o efeito térmico dos alimentos, ou seja, a energia que o corpo gasta para mastigar, digerir e absorver aquilo que foi consumido”, explica.

O que é o efeito térmico dos alimentos
Toda vez que uma pessoa come, o organismo precisa gastar energia para processar aquela refeição. Esse gasto faz parte do metabolismo e costuma representar cerca de 5% a 15% das calorias ingeridas, dependendo do tipo de alimento.
As proteínas são as que mais exigem esforço do corpo durante a digestão. Ainda assim, isso não significa que elas “anulem” as calorias consumidas.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles“As proteínas são os nutrientes que mais exigem energia para serem digeridos, podendo gastar entre 20% e 30% da energia que fornecem. Mesmo assim, elas ainda resultam em saldo energético positivo”, afirma Vanessa.
Ou seja: o corpo até gasta mais energia para digerir certos alimentos, no entanto, não a ponto de transformar a refeição em um “gasto calórico líquido”.

Por que o mito das “calorias negativas” pegou?
Vegetais como aipo, pepino, alface, repolho e abobrinha costumam aparecer em listas de alimentos que “fazem emagrecer sozinhos”. O motivo é simples: eles têm baixa densidade calórica, muito volume, água e fibras, e por isso ajudam bastante no controle da fome.
“Esses alimentos ajudam no emagrecimento não porque queimam gordura, e sim porque promovem saciedade com poucas calorias e podem substituir escolhas mais calóricas no dia a dia”, diz a nutricionista.
Quais alimentos realmente ajudam mais
Se o objetivo é montar uma alimentação mais estratégica para perder peso com equilíbrio, o foco deve estar menos em “truques” e mais em alimentos que favorecem saciedade, qualidade nutricional e constância.
Entre os principais aliados, Vanessa destaca:
- Proteínas magras, como ovos, frango, peixe, iogurte natural e cottage;
- Alimentos ricos em fibras, como aveia, frutas, verduras, legumes e grãos;
- Alimentos ricos em água, como saladas, frutas e vegetais in natura.
“Fibras e alimentos ricos em água são excelentes estratégias para quem quer emagrecer sem passar fome. Eles aumentam a saciedade, melhoram a digestão e reduzem a densidade calórica da refeição”, explica.
E os termogênicos?
Ingredientes como café, gengibre, pimenta e chá verde realmente podem ter um pequeno efeito termogênico, mas o impacto costuma ser modesto.
“Termogênicos naturais funcionam, porém, o efeito costuma ser superestimado. Eles podem contribuir levemente para o aumento do gasto energético, mas sozinhos não causam emagrecimento significativo”, alerta Vanessa.

O que realmente vale priorizar
Na prática, a especialista reforça que emagrecer com equilíbrio depende muito mais da qualidade geral da alimentação do que da busca por um alimento “milagroso”.
“O mais importante é priorizar comida de verdade, manter uma boa ingestão de proteínas e fibras, evitar ultraprocessados e construir um déficit calórico de forma consciente, sem radicalismo”, orienta.
Ela também chama atenção para erros comuns, como pular refeições, fazer dietas muito restritivas e exagerar em produtos ou bebidas com fama de “acelerar o metabolismo”.
No fim, a melhor estratégia continua sendo a menos glamourosa, e a mais eficaz: comer bem de forma consistente.
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