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Ignorar estes sinais no treino pode elevar risco de lesão, diz expert
O personal trainer Filipe Feijó explicou como identificar os sinais de que o seu treino pode estar comprometendo as articulações
atualizado
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Sentir dores nas articulações, como ombros, joelhos e lombar, está entre as queixas mais frequentes de quem faz um treino em academias. Apesar de muitos encararem o desconforto como uma consequência “normal” do esforço, o educador físico Filipe Feijó alerta que o incômodo pode indicar lesões associadas a falhas na execução dos exercícios, excesso de carga ou recuperação inadequada entre as atividades.
Em entrevista à coluna Claudia Meireles, o especialista explicou que nem sempre o exercício mais “difícil” é o principal problema. “As dores podem estar relacionadas a cargas elevadas sem qualidade técnica de execução e à falta de recuperação adequada”, destaca Feijó.

Embora os exercícios não sejam os principais “vilões”, o profissional ressalta que alguns movimentos com maior complexidade técnica merecem atenção redobrada — especialmente quando realizados por pessoas com histórico de lesões anteriores.
“Agachamento, levantamento terra e supino, quando feitos com técnica inadequada ou excesso de volume, estão entre os exercícios com maior risco de lesões”, alerta o profissional.
Filipe Feijó aponta que fatores como progressão incorreta de carga, fadiga acumulada, falta de mobilidade e desalinhamentos articulares também aumentam significativamente as chances de se machucar.
Personal trainer lista os sinais de que o exercício está errado
Filipe Feijó observa alguns padrões que costumam indicar falhas nos movimentos. Segundo ele, identificar os sinais emitidos pelo próprio corpo pode ajudar a evitar lesões futuras.
“Dores agudas localizadas nas articulações, normalmente fora do músculo que está sendo exercitado; falta de capacidade de manter o alinhamento articular; uso de compensações; amplitude de movimento inconsistente; e falta de controle da velocidade de execução devem ser observados durante o exercício”, orienta o educador físico.

Além disso, queda precoce de desempenho e ativação predominante de músculos secundários em vez da musculatura-alvo também merecem atenção.“Essas situações sugerem distribuição de carga ineficiente”, ressalta.
Desconforto durante o treino
De acordo com Filipe Feijó, insistir nos exercícios mesmo diante da dor é um hábito que deve ser deixado de lado. Segundo o especialista, continuar treinando nessas condições pode agravar processos inflamatórios e aumentar o risco de lesões mais sérias.
“Quando projetamos carga sobre músculos ou articulações que já estão sobrecarregados, aumentamos a probabilidade de inflamação e, consequentemente, o risco de lesão”, afirma Filipe.

Dor muscular “normal” X dor de lesão
Apesar de alguns incômodos fazerem parte da recuperação muscular, o especialista salienta que há diferenças importantes entre a dor comum do pós-treino e um sinal de alerta.
“A chamada dor muscular tardia, causada pela recuperação do músculo treinado, costuma surgir entre 24 e 72 horas após o exercício, de forma difusa e bilateral”, avalia.
Já a dor de alerta costuma surgir durante a execução do movimento e apresentar características diferentes da recuperação muscular esperada.
“A dor de alerta normalmente aparece durante o exercício e pode persistir ou gerar inchaço por mais de 48 a 72 horas. Geralmente, é localizada, articular, aguda ou em forma de pontada”, esclarece Filipe Feijó.

Como reduzir o risco de lesões na academia
Para evitar problemas, Filipe Feijó reforça a importância de respeitar a progressão gradual de cargas, séries e repetições, além de manter atenção à técnica correta dos exercícios.
O educador físico destaca ainda necessidade de realizar aquecimento específico, fortalecimento das musculaturas estabilizadoras e monitoramento da fadiga para evitar overtraining — síndrome causada pelo excesso de treinamento.
“Priorizar recuperação, sono, nutrição adequada — especialmente ingestão de proteínas — e ajustar o treino ao nível individual são medidas fundamentais para reduzir o risco de lesão”, conclui o profissional.

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