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Fibromialgia: médica revela os sintomas comuns da “doença invisível”
O Dia Mundial de Conscientização sobre a Fibromialgia é celebrado nesta terça-feira (12/5); entenda os principais desafios da doença crônica
atualizado
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O Dia Mundial de Conscientização sobre a Fibromialgia, celebrado nesta terça-feira (12/5), chama a atenção para uma condição ainda cercada por dúvidas, diagnósticos tardios e sintomas muitas vezes desacreditados. Segundo a Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR), a síndrome atinge cerca de 2,5% a 3% da população mundial e é marcada por dores generalizadas, fadiga intensa e distúrbios do sono.
Em entrevista à coluna Claudia Meireles, a reumatologista Sandra Maria Andrade, do Hospital Santa Lúcia Sul, explicou que um dos principais desafios da fibromialgia está justamente na dificuldade do diagnóstico.
“A demora acontece porque a dor pode começar de forma mais leve, aumentar gradualmente e se tornar difusa, por vezes ‘imitando’ sintomas de outras doenças”, esclarece a especialista.
Conforme elucida a médica, não existe um exame específico capaz de confirmar a fibromialgia. O diagnóstico depende de avaliação clínica e da exclusão de outras condições. “É preciso afastar doenças infecciosas, metabólicas e inflamatórias antes de concluir o diagnóstico”, explica.

Como identificar a dor da fibromialgia?
A doença crônica, segundo Sandra Maria Andrade, é caracterizada por dores musculoesqueléticas — que atingem músculos, tendões e articulações — de forma contínua e espalhada pelo corpo.
Diferentemente de condições inflamatórias, a especialista explica que a fibromialgia não costuma apresentar sinais como calor, vermelhidão ou inchaço nas regiões doloridas.
“Muitas vezes, o desconforto vem acompanhado de sensação de agulhamento, choque ou hipersensibilidade ao toque e pode se intensificar durante a noite”, explica Sandra Maria.

Além da dor persistente, outros sintomas costumam impactar diretamente a qualidade de vida dos pacientes. “Fadiga crônica, distúrbios do sono, alterações de humor, cefaleias e alterações intestinais fazem parte do quadro clínico da fibromialgia”, detalha a médica.
De acordo com Sandra, o que se sabe atualmente é que a síndrome está relacionada a alterações na forma como o sistema nervoso processa a dor. “Existe uma alteração de sensibilidade dolorosa e dos mediadores da dor no Sistema Nervoso Central, inclusive envolvendo o sistema dopaminérgico de adrenalina e noradrenalina”, explica.

Tratamento envolve corpo e mente
Embora a fibromialgia não tenha cura, Sandra Maria Andrade reforça que a condição pode ser controlada com acompanhamento adequado e mudanças no estilo de vida. Cuidar da saúde emocional é uma parte importante do tratamento.
“O controle de distúrbios de humor, ansiedade e depressão, associado a uma boa higiene do sono e à prática de exercícios físicos, melhora muito a dor e a qualidade de vida dos pacientes”, afirma.
As medicações também podem ser utilizadas como aliadas tanto para controle da dor quanto para evitar a cronificação dos sintomas. “O controle da dor aguda é importante para evitar alterações persistentes na percepção dolorosa que caracterizam a fibromialgia”, conclui.

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