Dormir mal e estresse favorecem a hipertensão, diz cardiologista
Mesmo com a dieta e os exercícios em dia, o cardiologista Roberto Yano destaque que esses dois hábitos favorecem a hipertensão

A hipertensão é um quadro que atinge 27,9% da população brasileira, segundo dados da Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel). Embora o excesso de sal, o sedentarismo e a obesidade sejam fatores de risco amplamente conhecidos, hábitos como sono desregulado, estresse crônico e baixo consumo de potássio também podem favorecer o desenvolvimento da pressão alta, afirma o cardiologista Roberto Yano em entrevista à coluna Claudia Meireles.
De acordo com o profissional, a relação entre a qualidade do sono com a pressão arterial é considerada bidirecional: ao mesmo tempo que dormir mal pode contribuir para a hipertensão, a própria doença também pode fazer com que o paciente não consiga ter um sono reparador.
“Dormir mal não afeta apenas o cansaço do dia seguinte. Distúrbios do sono, como insônia frequente ou apneia, podem aumentar a atividade do sistema nervoso e favorecer o aumento da pressão arterial ao longo do tempo”, alerta.

Da mesma forma, o cardiologista destaca que quando o organismo permanece por longos períodos em estado de alerta, há aumento da produção de hormônios como cortisol e adrenalina, ligados à elevação da pressão arterial.
“O problema não é apenas o estresse pontual, e sim quando ele se torna permanente na rotina”, destaca o médico.
A importância do consumo de potássio para evitar a hipertensão
Além desses hábitos, o especialista chama atenção para a importância de incluir potássio na dieta. O nutriente, presente em frutas, verduras e legumes ajuda a equilibrar os efeitos do sódio no organismo e é um importante vasodilatador.
“O potássio ajuda a equilibrar os efeitos do sódio no organismo ao estimular os rins a eliminarem o excesso de sódio pela urina. Dietas pobres em frutas, verduras e legumes com esse nutriente podem reduzir essa proteção natural contra o aumento da pressão”, afirma.

Segundo o especialista, a pressão alta costuma ser resultado de um conjunto de fatores que se acumulam ao longo do tempo.
Por isso, identificar e ajustar precocemente comportamentos de risco são medidas fundamentais para prevenir o aparecimento de doenças cardiovasculares.
“A hipertensão não surge de um dia para o outro. Ela é resultado de diversos fatores acumulados ao longo do tempo. Quanto mais cedo a pessoa identifica riscos e ajusta hábitos, maiores são as chances de manter a saúde cardiovascular”, afirma Yano.
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