
Claudia MeirelesColunas

Cardiologista explica por que a gordura visceral é tão perigosa
Doutora em ciências, a cardiologista Rafaela Penalva destaca as condições de saúde desencadeadas pela gordura visceral
atualizado
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Publicado na Biblioteca Nacional de Medicina dos Estados Unidos, um artigo da Escola de Medicina da Universidade de Washington revela que o excesso de gordura visceral está associado à obesidade abdominal, à resistência à insulina e a outros fatores de risco metabólicos para doença arterial coronariana. Conforme um estudo da Fiocruz Brasília, 48% dos adultos brasileiros terão obesidade até 2044 e outros 27% viverão com sobrepeso.
Doutora em ciências pelo Programa Medicina, Tecnologia e Intervenção em Cardiologia da Universidade de São Paulo (USP) e Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia (IDPC), a cardiologista Rafaela Penalva explica o que é a gordura visceral: “É aquela acumulada dentro da cavidade abdominal, ao redor de órgãos”. À coluna, a especialista menciona os perigos desencadeados por esse tipo de gordura.
De acordo com a médica, diferentemente da subcutânea, a gordura visceral funciona como um “órgão endócrino ativo” por liberar constantemente ácidos graxos livres diretamente na veia porta, que vai para o fígado. Chefe da seção de cardiometabolismo do IDPC, Rafaela destaca: “Também há a liberação de citocinas inflamatórias, como TNF-alfa, IL-6 e resistina, e de hormônios com potencial de promover a resistência à insulina e a disfunção endotelial”.
A especialista em doenças coronárias pontua que esse quadro causado pela gordura visceral gera um estado de inflamação crônica de baixo grau, reduz o colesterol bom e aumenta a produção de glicose e de triglicerídeos para o fígado, além de favorecer a formação de placas de ateroma nas artérias. “Resumindo: não é apenas uma gordura inofensiva, afeta o metabolismo e o sistema cardiovascular de dentro para fora.”
Para Rafaela Penalva, a gordura visceral é o “gatilho central” da síndrome metabólica por estar diretamente ligada à diabetes tipo 2 e à resistência insulínica. Outras condições têm relação com o quadro, a exemplo da hipertensão arterial, dislipidemia, esteatose hepática não alcoólica, doenças cardiovasculares, apneia obstrutiva do sono, aumento do risco de alguns cânceres, estados pró-trombóticos, inflamação sistêmica e ovários policísticos em mulheres.

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