Inscreva-se no canal MetrópolesTV no YouTube
Claudia Meireles

A inflamação contribui para a infertilidade? Especialistas avaliam

Um estudo da Harvard Medical School avaliou se a inflamação do corpo é um fator que pode contribuir ou não para a infertilidade

06/06/2023 02:00, atualizado 06/06/2023 17:33
Compartilhar notícia
D3sign/Getty Images
A inflamação contribui para a infertilidade? Especialistas avaliam

A infertilidade pode afetar homens e mulheres ao longo da vida. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), em artigo publicado pela Organização Pan-Americana da Saúde, 17,5 % da população adulta  o que representa 1 em cada 6 pessoas em todo o mundo sofre com o problema.

Neste caso, uma avaliação médica pode identificar as principais causas da patologia. Um estudo divulgado no início do ano pela Harvard Medical School avaliou se a inflamação é um fator que pode contribuir ou não para a infertilidade.

Segundo a publicação, dietas ou estilos de vida anti-inflamatórios são frequentemente sugeridos para pessoas que tem dificuldade de engravidar — mas, será que eles ajudam de fato? A Coluna Claudia Meireles conversou com três médicos para entender melhor a ligação entre esses dois fatores.

Estudo de Havard avaliou se a inflamação do corpo pode contribuir para a infertilidade

Antes de tudo, a inflamação crônica está associada a várias condições de saúde, como doenças cardiovasculares, derrames e câncer.

Por mais que não haja pesquisas claras sobre a ligação entre organismo inflamado e a incapacidade de gerar um filho, Daniely Toledo Costa, ginecologista e obstetra pela Santa Casa de Anápolis (GO), afirma que existem algumas evidências.

“O risco de infertilidade é maior em condições marcadas por inflamação, incluindo endometriose e síndrome do ovário policístico. A gente sabe que a inflamação sistêmica pode afetar diretamente o útero, o colo do útero e a placenta”, explica a fellow em reprodução humana assistida no Instituto Verhum.

Daniely Toledo Costa é ginecologista e obstetra, especialista em reprodução humana

A tese de Harvard aponta ainda que as mulheres que fizeram fertilização in vitro e seguiram uma dieta anti-inflamatória tiveram taxas mais altas de gravidez bem-sucedida do que aquelas que não seguiram.

Bruno Ramalho é ginecologista, especialista em reprodução humana e professor de medicina do UniCEUB

“Com relação às dietas, há uma preocupação para as que estimulam a alta ingestão de gordura. Suspeita-se fortemente que exerçam efeitos particularmente negativo na ovulação, afetando a saúde dos óvulos e até a implantação de um embrião saudável. O mesmo pode valer para os homens, com prejuízo à saúde dos espermatozoides”, avalia Bruno Ramalho, ginecologista e especialista em reprodução assistida.

Acesse a pesquisa completa aqui!

Dieta anti-inflamatória x fertilidade

Uma dieta ou estilo de vida anti-inflamatório pode contribuir para a facilidade de engravidar? Segundo a endocrinologista Daniela de Paiva Rosa Amaral, há cada dia mais dados na literatura apontando que sim.

“Um mecanismo-chave descrito nos estudos está relacionado aos efeitos adversos da inflamação na fertilidade, potencialmente contribuindo para ciclos menstruais irregulares, falha de implantação de embrião e outras alterações reprodutivas”, analisa.

Imagem colorida de mulher com gravidez psicológica
Muitas mulheres sonham com a maternidade, mas, infelizmente, enfrentam o problema da infertilidade

Alimentos à base de plantas, como frutas e vegetais, grãos integrais, leguminosas, oleaginosas (nozes, amêndoas e castanha), sementes, azeite, bem como  consumo moderado de peixes e frutos do mar, laticínios fermentados com baixo teor de gordura, são alguns tipos de alimentos, que segundo a especialista, estão entre as recomendações para mulheres que possuem infertilidade.

Daniela tem residência em Clínica Médica e em Endocrinologia pelo HRAN e HRT, respectivamente

“É importante salientar que, embora exista uma cultura disseminada de que glúten e leite são pró-inflamatórios, não há evidências científicas robustas na literatura que comprovem tal afirmação, não sendo recomendado retirar alimentos que os contenham para se conseguir ter uma dieta anti-inflamatória, exceto quando a pessoa tem intolerância ou sensibilidade a ambos”, explica Daniela, que é especialista pelo Hospital Regional da Asa Norte (HRAN) e Hospital Regional de Taguatinga (HRT).

É possível que a inflamação desempenhe um papel importante e subestimado na infertilidade e que uma dieta ou estilo de vida anti-inflamatório possa ajudar, mas é necessário mais estudos para confirmar isso.

Alimentos à base de plantas, como frutas e vegetais, grãos integrais, leguminosas, oleaginosas (nozes, amêndoas e castanha), sementes e azeite estão na lista de dieta anti-inflamatória

Neste caso, o acompanhamento com o médico de confiança é a melhor forma de encontrar a raiz do problema e as melhores ações para realizar o sonho da maternidade.

“É muito importante que as pessoas busquem acompanhamento por profissionais comprometidos com a ciência. Nessa área, é muito fácil se perder ou ser seduzido por promessas sem base científica, fórmulas mágicas, ‘dietas da fertilidade’ e coisas do gênero”, ressalta Bruno Ramalho, professor de medicina do UniCEUB.

Pessoa segurando teste de gravidez de farmácia - Metrópoles
A tese de Harvard mostra que as mulheres que fizeram fertilização in vitro e seguiram uma dieta anti-inflamatória tiveram taxas mais altas de gravidez bem-sucedida

Para saber mais, siga o perfil da coluna no Instagram.