Laudo afirma que entregador morto por GCM foi baleado nas costas e pulmões
Perícia aponta entrada do projétil pela região dorsal esquerda; disparo atravessou os pulmões e causou hemorragia interna fatal

Um laudo do Instituto Médico Legal (IML) confirma oficialmente que o entregador Douglas Renato Scheeffer Zwarg, de 39 anos, foi atingido pelas costas pelo disparo dado por Reginaldo Alves Feitosa, subinspetor da Guarda Civil Metropolitana (GCM), nas proximidades do Parque do Ibirapuera, na zona sul da capital paulista.
O documento, obtido pela coluna, identifica o orifício de entrada da bala na região dorsal esquerda, próximo à axila. A saída do projétil também ocorreu pelas costas, do lado direito. Segundo os peritos, a bala atravessou o corpo da esquerda para a direita e discretamente de cima para baixo.
Bala atravessou os pulmões
A necropsia constatou que o disparo provocou ferimentos nos dois pulmões e um “hemotórax volumoso bilateral”. Em outras palavras, o acúmulo de grande quantidade de sangue dentro dos dois lados do tórax.
A causa oficial da morte foi definida pelo IML como hemorragia interna aguda traumática provocada pelo projétil da arma de fogo.
A perícia também não encontrou álcool etílico, drogas nem medicamentos, normalmente pesquisados, no sangue do entregador.
Douglas foi morto em 10 de abril, quando voltava do trabalho e levava uma pizza para compartilhar com familiares. Ele trabalhava em um restaurante e fazia entregas para complementar a renda familiar. Ele não estava armado.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesGCM alegou disparo acidental
Feitosa declarou à Polícia Civil que o tiro teria ocorrido acidentalmente enquanto desembarcava da viatura. O guarda que dirigia o veículo, contudo, afirmou ter ouvido o estampido enquanto o carro ainda se aproximava de Douglas.
A versão sustentada pelo subinspetor também aparece no histórico enviado ao IML, o qual registra que, segundo a informação preliminar fornecida pelo agente, o tiro teria ocorrido “de forma acidental”.
O laudo necroscópico, porém, não avalia se o disparo foi intencional ou acidental, o documento limita-se a determinar as lesões, a trajetória e a causa da morte.
Projétil não foi encontrado
Há ainda uma limitação importante para a investigação. Conforme registrado pelo Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP),o projétil que matou Douglas não foi recuperado, impedindo o confronto balístico com a arma do guarda.
Por causa disso, a Polícia Civil determinou uma perícia na pistola apreendida, uma Taurus calibre 9 mm, com brasão da GCM de São Paulo. Os peritos deverão verificar se o armamento está apto a efetuar disparos e se apresenta vestígios de tiros recentes.
Prefeitura aponta disparo “sem necessidade”
Como revelou a coluna, a Prefeitura de São Paulo abriu processo administrativo contra Feitosa e atribui ao subinspetor um disparo “dado sem necessidade”, além do manuseio da arma de “maneira descuidada”, culminando na morte de outra pessoa.
O procedimento pode resultar na demissão do guarda, mas a administração municipal ainda não concluiu pela culpa dele. Feitosa poderá apresentar sua defesa antes da decisão final.
Feitosa foi preso em flagrante após a morte, pagou fiança de R$ 2 mil e passou a responder em liberdade. A prefeitura o afastou das funções operacionais e, posteriormente, a Polícia Federal cancelou seu porte de arma.
A defesa dele não foi localizada. O espaço segue aberto para manifestações.

















