Guarda Civil que matou entregador com tiro nas costas pode ser demitido
Prefeitura de São Paulo abriu processo que pode terminar em demissão; despachos de junho só foram publicados nesta quarta-feira (2/9)

O subinspetor da Guarda Civil Metropolitana (GCM) Reginaldo Alves Feitosa (imagem em destaque), que matou um entregador com um tiro nas costas, perto do Parque do Ibirapuera, pode ser demitido pela Prefeitura de São Paulo. A administração municipal abriu uma investigação interna para apurar infrações consideradas graves e que podem levar à perda do cargo.
Os despachos que determinam a abertura do procedimento são de junho, mas só foram publicados no Diário Oficial desta quarta-feira (2/9), quase três meses depois. Os documentos, consultados em primeira mão pela coluna, citam decisões datadas de 3 e 8 de junho e têm como alvo a conduta de Feitosa no episódio que terminou com a morte de Douglas Renato Scheeffer Zwarg, de 39 anos.
Na prática, a prefeitura ainda não decidiu pela demissão. O processo servirá para analisar a atuação do subinspetor e permitirá que ele apresente sua defesa antes da decisão final. A defesa do guarda não foi localizada. O espaço segue aberto para manifestações.
Prefeitura aponta disparo desnecessário
Entre as condutas atribuídas ao subinspetor estão o disparo de arma de fogo sem necessidade e o uso descuidado da arma quando isso resulta em morte ou ferimento.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesA Prefeitura também aponta que o servidor teria descumprido deveres básicos da função, como agir de acordo com as normas da corporação e manter uma conduta compatível com o cargo.
Essas acusações são consideradas graves dentro da GCM e podem levar à demissão. O processo administrativo, porém, ainda precisa analisar as provas e a defesa de Feitosa antes de uma decisão final.
Tiro nas costas
Douglas foi morto na noite de 10 de abril, em Moema, área nobre da zona sul paulistana. Ele trabalhava em um restaurante e fazia entregas para complementar a renda da família quando foi abordado pela GCM, nas imediações do Ibirapuera. Ele não estava armado.
Feitosa afirmou à Polícia Civil que o tiro teria ocorrido acidentalmente quando desembarcava de uma viatura, na qual ocupava o banco dianteiro do passageiro. O guarda que dirigia o veículo, porém, relatou ter ouvido o estampido enquanto o carro ainda se aproximava da vítima.
Após o disparo, a ocorrência chegou a ser comunicada inicialmente a outros guardas como um acidente de trânsito. O ferimento nas costas só foi percebido quando socorristas retiraram as roupas de Douglas. Feitosa acabou preso em flagrante, pagou fiança de R$ 2 mil e passou a responder ao caso em liberdade.
A prefeitura afastou o subinspetor das funções operacionais logo após o caso. Meses depois, a Polícia Federal também cancelou o porte de arma dele.
Câmeras viraram obstáculo
A investigação criminal ainda esbarrou na tentativa de localizar imagens que pudessem ter registrado a abordagem.
O Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) pediu à prefeitura gravações de câmeras do Smart Sampa instaladas na região. Os investigadores enviaram ao menos dois pedidos, inclusive com a localização e as coordenadas de equipamentos próximos ao local do crime (veja galeria acima).
A prefeitura informou que as imagens não existiam e afirmou ter recebido apenas um pedido. Os registros da investigação, porém, mostram que um segundo ofício também foi encaminhado ao endereço oficial do programa. Até a consulta feita pela coluna em julho, não havia resposta a essa nova solicitação nos autos.

















