Exército da Bolívia impediu ascensão de um projeto de ditador

Maduro se dá bem, como Hugo Chávez, porque o Exército da Venezuela foi destruído por ambos. Na Bolívia, o exército impediu um golpe

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atualizado 14/11/2019 13:04

Já se ouve na esquerda, aqui e ali, comparações entre o ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, e o projeto de ditador da Bolívia, Evo Morales – e o cotejo não é bom para o boliviano, que acaba de renunciar à presidência atendendo a sugestões dos militares do seu país. Maduro continua firme e forte no governo porque é machão, dizem. Evo não é mais nada porque é frouxo.

O primeiro frauda eleições e se dá bem. O segundo frauda eleições e se dá mal. Um está lá, deitando e rolando, e nada parece capaz de complicar seriamente a sua vida. O outro, coitado, não pode nem dizer que foi vítima de um golpe militar, no modelo clássico (e já fora de moda) da América Latina – saiu porque pediu o boné e precisou dar um jeito de arrumar um “asilo no México”, para fazer o gênero “perseguido político”.

Tudo certo, mas há uma boa dose de injustiça, digamos assim, nessas comparações. Maduro se dá bem, como o seu antecessor, Hugo Chávez, porque o Exército da Venezuela foi destruído por ambos, e basicamente substituído por uma milícia à serviço pessoal do presidente e das forças que ele tem em torno de si – incluindo-se aí os narcotraficantes. É como se os militares tivessem sido trocados por uma empresa privada de segurança, ou algo assim.

Evo não conseguiu fazer a mesma coisa. A Bolívia continuou tendo as Forças Armadas que tinha antes de sua chegada à presidência, e elas mantiveram os seus regulamentos de sempre. Faz uma senhora diferença, como se acaba de ver.

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