Filha de ministro do TCU, secretária do GDF chama funcionários de “orelha seca”

Incomodados com postagem feita por Cristiane Nardes em grupo de WhatsApp, funcionários reuniram prints para apresentar denúncia contra ela

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atualizado 16/07/2019 17:27

A secretária executiva de Governança e Compliance da Casa Civil do GDF, Cristiane Nardes, fez um comentário em grupo de WhatsApp que deixou os colegas constrangidos. E agora pode lhe render um processo por assédio moral.

Ao expor seus planos políticos (ela escreve que vai se filiar ao MDB), Cristiane comete uma gafe: “E semana que vem darei entrada em minha filiação ao MDB. Sugiro aos colegas orelha seca (os comissionados) a fazerem o mesmo. Ganharemos mais confiança no governo”. Formada em Comunicação Social, Cristiane é filha do ministro Augusto Nardes, do Tribunal de Contas da União (TCU).

Segundo o Dicionário inFormal, orelha seca é um regionalismo popular que se refere ao operário de obra, peão, termo geralmente usado no ambiente de trabalho para descrever quem ganha pouco e trabalha muito.

A mensagem é antiga, postada no grupo intitulado “Governança e Compliance” às 21h38 do dia 15 de março deste ano. Recente, no entanto, é a movimentação de alguns subordinados que se sentiram ofendidos com o rótulo pejorativo da secretária e reuniram material para, eventualmente, representar contra Cristiane por assédio moral.

Na época da postagem, o mal-estar causado encorajou um dos assessores diretos da gestora a pedir aos mais de 30 integrantes do grupo de WhatsApp que apagassem a mensagem da chefe: “A sinceridade dela é, às vezes, excessiva… kkk”.

Foco nas filiações

Funcionários que acompanham a rotina de Cristiane relatam que, naquela ocasião, ela teria destacado o assessor especial Marcelo Becker, lotado na Secretaria de Governança, para cuidar pessoalmente das filiações de possíveis interessados, aos quais ela nomina “orelha seca”. Em outro grupo dedicado ao tema, Cristiane pede a ele orientação sobre as adesões.

O que diz Cristiane Nardes

A secretária executiva disse à coluna que o comentário em questão foi em “tom de brincadeira, como em qualquer grupo de zap”. Ela afirmou que algumas pessoas de sua equipe foram transferidas para outra área. “Embora estejam em situação até melhor, pelo visto, querem me prejudicar de alguma forma”, especulou. “Sempre tratei todos da minha equipe com cordialidade e carinho. São técnicos e nem saberia dizer a qual partido estão filiados, temos servidores com vários perfis, tanto os de carreira quanto os comissionados”, afirmou.

Cristiane disse ainda que chegou a cogitar se filiar ao MDB, mas não efetuou a entrada no partido. Sobre o assessor especial, argumentou que apenas pediu a ele o endereço da sigla: “Marcelo é meu assessor de gabinete, faz minha agenda. Na correria do dia a dia, pedi o endereço do partido a ele. E foi só isso. Como lhe disse, acabei não me filiando”.

Colaborou Isadora Teixeira

SOBRE O AUTOR
Lilian Tahan

Dirige desde setembro de 2015 o site de notícias Metrópoles. É formada em comunicação social pela Universidade de Brasília (UnB), com especialização em jornalismo digital e gestão de empresa de comunicação pela ISE Business School, instituição vinculada à Universidade de Navarra, na Espanha. Antes do Metrópoles, trabalhou por 12 anos no Correio Braziliense e dois anos na revista Veja Brasília. Ao longo da carreira, conquistou prestigiados prêmios de jornalismo, como Esso, Embratel, CNT, CNI, AMB, MPT, Engenho.

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