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Ciência

Zoos usam cobertor, chá e até sopa para proteger os animais do frio.

A falta de adaptações corporais como pelagem mais grossa faz alguns animais terem mais dificuldades para se adaptar a temporada de frio

04/07/2026 02:00
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Leandro Ferreira Amaral/Zoo de São Paulo
Imagem colorida mostra chimpanzé com cobertor - Metrópoles

Em algumas partes do Brasil, o frio chegou. Cobertores, agasalhos e pratos quentes estão entre as principais estratégias para nós humanos nos aquecermos durante o período. Mas, como os animais se protegem? Na natureza, tudo vai depender dos recursos corporais e do que está em volta dele, mas no caso de bichos moradores de zoológicos, os cuidadores utilizam táticas específicas para manter o calor. 

Para protegê-los, atitudes simples e que também são comuns em um dia “humano” de frio entram em cena. Em alguns zoológicos brasileiros, os animais recebem sopas, chás de ervas, aquecedores e cobertores, a depender do bicho e suas particularidades. Em alguns casos, há um reforço no isolamento térmico do recinto.

Todos os animais recebem cuidados para se proteger, mas espécies de clima tropical e subtropical, que são mais acostumados à temperaturas mais altas, têm atenção redobrada dos cuidadores.

A falta de adaptações corporais como pelagem mais grossa, camadas de gordura subcutânea ou taxas metabólicas aceleradas o fazem perder calor mais facilmente em épocas de frio. “Animais de climas tropicais sempre sofrem mais com a queda da temperatura ambiente. Eles são mais sensíveis e necessitam de maiores cuidados e atenção”,explica o diretor técnico do BioParque do Rio de Janeiro, Marcos Traad.

“Os filhotes, por exemplo, merecem cuidados especiais porque ainda estão desenvolvendo a imunidade. Os animais geriátricos também exigem cuidados diferenciados, assim como acontece com os idosos humanos”, acrescenta a bióloga Mara Marques, do Zoo de São Paulo.

Quais são os cuidados com os animais?

Um dos bichos mais parecidos com a nossa espécie, o chimpanzé sofre bastante com o frio. Os cuidadores disponibilizam cobertores para eles passarem a noite, além de caldos e chás com ingredientes já presentes na rotina alimentar. “Tudo isso é preparado e supervisionado pela equipe técnica de biólogos, veterinários e zootecnistas do Zoo”, afirma o Zoológico de São Paulo em comunicado.

Girafas, micos-leões e jabutis-gigantes-de-aldabra, bichos mais acostumados com locais quentes, são alocados em ambientes com clima controlado durante a noite, horário em que o frio mais aperta.

Já os animais pecilotérmicos, aqueles que dependem da temperatura para se aquecer, como anfíbios e répteis, têm aquecedores instalados nos abrigos para ajudar. Como a temporada de frio também é marcada pelo ar mais seco, esse grupo também recebe umidificadores e borrifação.

“Os répteis são um grupo mais sensível porque dependem muito da temperatura do ambiente para regular o metabolismo. Quando está muito quente, por exemplo, eles se expõem ao sol para se aquecer. Já em períodos de frio, nós providenciamos tanques com aquecimento para que consigam manter a temperatura corporal adequada”, explica a bióloga Mara.

Composição alimentar também é importante

Outro cuidado importante para manter a temperatura corporal nos animais é a alimentação: o processo de digestão de nutrientes provoca calor. No frio, os animais têm uma dieta readequada para conter alimentos mais calóricos. A medida visa aumentar o ganho energético e elevar o tecido adiposo, que também ajuda a equilibrar a sensação térmica. 

“Quando ocorre o oposto, em períodos de muito calor, ajustamos a dieta com alimentos mais leves, justamente para que o metabolismo do animal continue funcionando adequadamente sem excesso de reserva de gordura. O bem-estar faz parte de todas as nossas atividades ao longo do ano. Mas, no inverno, temos alguns cuidados extras”, conclui Mara.