Reprodução de plantas pode ter acelerado evolução dos animais da Terra
Estudo sugere que a reprodução sexual aumentou a competição e favoreceu a evolução da vida animal há mais de 550 milhões de anos
atualizado
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Os primeiros animais da Terra podem ter levado milhões de anos para evoluir por se reproduzirem principalmente por clonagem. A conclusão é de um estudo publicado em 9 de junho na revista Nature Ecology & Evolution, que analisou fósseis do período Ediacarano e propõe que a reprodução sexual teve papel importante na aceleração da evolução animal.
A pesquisa foi conduzida por Emily G. Mitchell e Andrea Manica, da Universidade de Cambridge, no Reino Unido. Os cientistas estudaram comunidades que viveram entre cerca de 635 milhões e 539 milhões de anos atrás, muito antes do surgimento dos animais modernos.
Naquela época, os oceanos eram habitados por organismos de corpo mole, muitos deles com aparência semelhante à de folhas ou samambaias. Alguns podiam atingir até dois metros de altura e viviam fixos no fundo do mar.
O que os fósseis revelaram
Para entender como aqueles organismos se reproduziam e ocupavam o ambiente, os pesquisadores analisaram a distribuição espacial de fósseis preservados em antigos leitos marinhos. Ao todo, foram examinadas 21 populações distribuídas em oito superfícies fossilíferas.
A forma como os fósseis aparecem agrupados forneceu pistas sobre as estratégias de reprodução utilizadas pelos primeiros animais da Terra. Segundo os autores, muitos deles se multiplicavam de forma assexuada por meio de estruturas chamadas estolões, que davam origem a novos indivíduos geneticamente idênticos ao organismo original. Na prática, os descendentes permaneciam próximos uns dos outros, formando agrupamentos de parentes muito próximos.
Menos competição entre parentes
De acordo com os pesquisadores, a reprodução por clonagem criava comunidades relativamente estáveis. Como os organismos eram geneticamente semelhantes e permaneciam conectados ou muito próximos, havia menos competição por espaço e recursos dentro da mesma espécie.
Os modelos utilizados no estudo indicam que tal característica pode ter reduzido a pressão evolutiva, favorecendo mudanças mais lentas ao longo do tempo.
A situação começou a mudar durante a fase final do Ediacarano, há cerca de 550 milhões de anos, quando formas de reprodução sexual passaram a se tornar mais comuns.
Diferentemente da clonagem, a reprodução sexual permite que descendentes se espalhem por distâncias maiores. Com organismos alcançando novos locais, aumenta também a disputa por espaço e recursos.
Segundo os autores, tal mudança pode ter favorecido uma competição ecológica mais intensa e criado condições para o surgimento de uma diversidade maior de formas de vida.
O estudo sugere que a transição para a reprodução sexual ajudou a impulsionar uma segunda fase da evolução dos animais do Ediacarano, marcada pelo aumento da diversidade observado no registro fóssil.
Os pesquisadores ressaltam que a reprodução sexual não explica sozinha a diversificação dos primeiros animais. Ainda assim, os resultados indicam que mudanças na forma de reprodução podem ter desempenhado papel importante na transformação dos ecossistemas marinhos primitivos.
Ao combinar análises espaciais de fósseis com modelos ecológicos, o trabalho oferece uma nova explicação para um dos momentos mais importantes da história da vida na Terra, que é a passagem de comunidades relativamente simples para ambientes cada vez mais diversos e complexos, que abriram caminho para a explosão de biodiversidade observada nos períodos seguintes.