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Genoma da jararaca-ilhoa ajuda a entender evolução do veneno da cobra

O sequenciamento genético é importante para nortear ações de conservação da jararaca-ilhoa, espécie em risco crítico de extinção

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Daniel Antônio/Agência Fapesp
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1 de 1 Imagem colorida mostra uma jararaca-ilhoa - Metrópoles - Foto: Daniel Antônio/Agência Fapesp

Pesquisadores brasileiros fizeram o sequenciamento completo do genoma de uma jararaca-ilhoa (Bothrops insularis), espécie que vive exclusivamente na Ilha da Queimada Grande, em São Paulo. A análise focou especialmente os genes do veneno da cobra.

Os pesquisadores acreditam que as descobertas feitas a partir do estudo podem auxiliar, no futuro, na fabricação de novos medicamentos para reduzir a pressão arterial ou anticoagulantes.

Grande parte dos genes da jararaca-ilhoa é partilhada entre as outras espécies do gênero. Assim, o estudo pode servir de referência para trabalhos que visem analisar a evolução dos animais peçonhentos e seus venenos.

Apesar das semelhanças genéticas com as cobras do continente, a jararaca-ilhoa tem pele amarela e hábitos semiarborícolas — ou seja, pode estar no solo ou em árvores — e tem preferência por predar aves quando adulta. Já as demais são mais escuras e caçam pequenos mamíferos no chão, como ratos.

O novo estudo foi liderado por pesquisadores do Instituto Butantan, em parceria com cientistas de duas instituições norte-americanas, a Universidade Estadual de Ohio e a Universidade Estadual da Flórida. Os resultados foram publicados em dezembro na revista Genome Biology and Evolution.

Evolução da jararaca-ilhoa

Para fazer o estudo, os pesquisadores sequenciaram o genoma completo de um macho da ilha. Outros genomas menos detalhados de oito exemplares (sete livres na natureza e um de cativeiro) foram realizados a efeito de comparação, visando analisar a variabilidade genética da espécie isolada.

Os resultados mostram que o veneno da jararaca-ilhoa é rico em enzimas e proteínas responsáveis por causar hemorragias e problemas de coagulação e tem potencial para causar hipotensão e lesões nos tecidos. A análise também aponta que variações genômicas nas toxinas ao longo do tempo não ocorreram por acaso. 

“Por ser uma população isolada, essas mudanças poderiam ocorrer de forma aleatória, como resultado de uma baixa variabilidade genética. Não foi o que vimos. Há uma distribuição mais específica, uma assinatura de que existe pressão seletiva”, explica o coordenador do estudo, Inácio Junqueira de Azevedo, em entrevista à Agência Fapesp.

Segundo Azevedo, ela pode ter se dado tanto pela alimentação como pelo próprio fato de a espécie ter ficado restrita a uma área muito pequena.

O sequenciamento genético da população selvagem é importante para nortear melhor ações de conservação da jararaca-ilhoa, que é considerada uma espécie com risco crítico de extinção. Em novos estudos, os dados podem ajudar a comparar genomicamente exemplares selvagens e de cativeiro.

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