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Medo de serpente? USP lança guia para desmistificar cobras
Material gratuito criado pela USP mostra que menos de 20% das espécies de serpentes são perigosas e ensina como prevenir acidentes
atualizado
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Responsáveis por causar muito medo e alvo de extermínio em áreas urbanas e rurais, as serpentes agora são tema de um guia lançado pela Universidade de São Paulo (USP), em Piracicaba (SP), com uma proposta clara: informar para reduzir o temor. Disponível gratuitamente na plataforma Livros Abertos, o “Guia de Serpentes” reúne ciência, cultura e orientações práticas para estimular a convivência segura entre humanos e esses animais. Acesse o guia.
A publicação destaca que, ao contrário do que muitos imaginam, menos de 20% das espécies contempladas no material podem causar acidentes fatais. A maioria, portanto, não representa ameaça direta — mas todas devem ser respeitadas.
Entenda
- Guia é gratuito e acessível ao público: disponível na plataforma Livros Abertos da USP.
- Menos de 20% das espécies são potencialmente fatais: a maioria das serpentes não é perigosa.
- Material une ciência e cultura popular: obra aborda folclore, biologia e prevenção de acidentes.
- Serpentes são essenciais ao equilíbrio ambiental: animais ajudam no controle de pragas e até inspiram medicamentos.
Informação contra o medo
Organizado por pesquisadores da ESALQ/USP, o guia funciona como fonte confiável sobre o universo das serpentes. Além de orientar sobre como evitar acidentes ofídicos, o material contextualiza a presença desses animais no imaginário brasileiro.
Logo no início, o leitor é conduzido por narrativas do folclore e da espiritualidade, em que as cobras aparecem tanto como símbolo de perigo quanto de sabedoria. Em seguida, a obra aprofunda aspectos biológicos, como mecanismos de defesa, hábitos e importância ecológica.

Segundo Caio da Silveira Nunes, um dos autores, parte significativa do conhecimento sobre serpentes costuma ficar restrita a artigos científicos — muitas vezes em inglês e de acesso pago. Ao mesmo tempo, a internet oferece grande volume de informações sem garantia de verificação.
“O guia surge como alternativa acessível e confiável para combater a desinformação”, afirma.
Ele ressalta que a imagem de animal agressivo e letal não corresponde à realidade da maioria das espécies. “Menos de um quinto das espécies da região abrangida pelo guia pode gerar um acidente fatal. A maioria não precisa ser temida, mas sempre respeitada”, explica.
Convivência, não extermínio
A proposta central é substituir o medo pela informação. Para Katia Ferraz, pesquisadora do Departamento de Ciências Florestais da ESALQ/USP e uma das autoras, o material busca despertar curiosidade e encantamento.
“O objetivo do guia é informar sobre as serpentes e como coexistir com elas, mas também despertar o interesse por esse grupo tão importante, muitas vezes marginalizado por mitos e preconceitos”, afirma.
O projeto integra a iniciativa “Vizinhos Silvestres”, coordenada por Katia, que orienta boas práticas de convivência entre pessoas e fauna silvestre.

Importância ecológica e científica
Além de seu papel no controle de populações de presas, como roedores, as serpentes ocupam posição estratégica na cadeia alimentar e ajudam a manter o equilíbrio ambiental.
O guia também destaca a relevância científica desses animais. Um exemplo emblemático é o Captopril, medicamento utilizado no tratamento da hipertensão e da insuficiência cardíaca, desenvolvido a partir de pesquisas com a peçonha de uma espécie de jararaca.
“Compartilhar essa visão e incentivar as pessoas a contribuir com a conservação das serpentes foi um dos nossos grandes motivadores”, conclui Caio.
O “Guia de Serpentes” pode ser baixado gratuitamente no Portal de Livros Abertos da USP.
