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Ciência

DNA de animais pré-históricos é achado em fezes de esquilos antigos

Novo estudo liderado por pesquisadores canadeneses investigou as fezes de esquilos pré-históricos achadas em um permafrost canadense

Jorge Agle12/06/2026 14:50, atualizado 12/06/2026 15:34
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Duane Froese/Universidade de Alberta
Imagem colorida mostra fezes congeladas de esquilos antigos - Metrópoles

Ao analisar fezes de esquilos terrestres pré-históricos (Urocitellus) encontrados em Yukon, no Canadá, pesquisadores tiveram uma surpresa: as amostras continham vestígios de animais da era glacial, incluindo mamutes, cavalos, bisontes e grandes felinos. Por outro lado, o achado é essencial para descobrir detalhes genéticos da fauna antiga que vivia na região norte-americana. 

O que causou estranheza é que os esquilos da época não eram carnívoros, mas, sim, onívoros oportunistas: alimentavam-se de vegetais, fungos, insetos e carniça. A principal hipótese é que os materiais genéticos presentes nas fezes estejam ligados ao hábito dos roedores, à época, de coletar e armazenar objetos dentro da toca.

Outra possibilidade é que os animais maiores tenham tentado predar os esquilos e o DNA deles chegou às tocas. A descoberta liderada pelo Instituto Hakai, no Canadá, teve os resultados publicados na revista Nature Communications em 9 de junho.

Fezes estavam em permafrost

As amostras só se preservaram, pois estavam congeladas no permafrost de Yukon — camada do subsolo que permanece intacta pelo gelo por anos. Entre os achados, alguns eram datados de cerca de 700 mil anos, o que pode revelar detalhes de faunas remotas. Segundo os pesquisadores, o material está entre os DNAs mais antigos já recuperados e sequenciados. 

“A descoberta ajuda a reconstruir paleoambientes em períodos de tempo muito mais remotos, fornecendo informações sobre mudanças ambientais, evolução da megafauna, dispersão e, em última instância, extinção”, aponta o coautor do estudo, Hendrik Poinar, em comunicado.

Por meio da extração de material genético dos excrementos, foi possível sequenciar 18 genomas mitocondriais. Entre as amostras, estavam vestígios de mamutes-lanosos (Mammuthus primigenius), do bisão-da-estepe (Bison priscus), de cavalos (Equus) e da lebre-americana (Lepus americanus). 

Havia também impressões digitais genéticas de lobos-cinzentos (Canis lupis) e de um grande felino, que se acredita ser uma puma ou um guepardo, além de fungos, bactérias e plantas. A partir dos materiais identificados, devem surgir estudos posteriores.