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Ciência

Sonda espacial da Nasa acorda da hibernação após ultrapassar Plutão

Por ter uma jornada distante, em vários momentos da viagem, a sonda não tinha muito trabalho a fazer além de coletar dados e foi hibernada

08/07/2026 11:45
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Walter Myers/Stocktrek Images/Getty Images
A sonda espacial não tripulada New Horizons da NASA sobrevoando o planeta anão Plutão e sua lua Caronte. A New Horizons está a caminho de Plutão desde seu lançamento da Terra em 2006 e sua maior aproximação está prevista para 14 de julho de 2015. A New Horizons tem aproximadamente o tamanho e a forma de um piano de cauda e pesava 478 kg no lançamento. A antena parabólica de alto ganho tem cerca de 2,1 metros de diâmetro e é usada para comunicação com a Terra. Nesta imagem, a sonda New Horizons está a cerca de 16.000 km de Plutão (canto superior direito), 35.400 km de sua maior lua, Caronte (canto superior esquerdo) e 4,78 bilhões de km da Terra. Dominando este lado da sonda com uma abertura de 20 cm está o Imageador de Reconhecimento de Longo Alcance (LORRI), uma câmera digital com um grande telescópio teleobjetivo reforçado para operar nos ambientes frios e hostis do espaço profundo. A 90 dias da maior aproximação de Plutão, as imagens da LORRI superarão a qualidade das melhores imagens de Plutão obtidas pelo Telescópio Espacial Hubble. Embora pouco se saiba sobre a aparência de Plutão, aqui este planeta anão do Cinturão de Kuiper é retratado como um mundo congelado, coberto por vários tipos de gelo, com uma fina atmosfera de nitrogênio, metano e possivelmente outros hidrocarbonetos, e uma superfície significativamente desgastada, já que a órbita de 248 anos de Plutão o aproxima e o afasta alternadamente do calor do Sol.

Após quase um ano “hibernando”, a sonda New Horizons, da Nasa, foi despertada pelos controladores em solo e, atualmente, a espaçonave está localizada a cerca de 9,5 bilhões de quilômetros da Terra, uma distância além de Plutão. Seus equipamentos apresentaram boas condições, e ela tem como tarefa investigar os efeitos do vento solar na heliosfera externa.

“Todos os relatórios de status durante este período de hibernação foram ‘verdes’, o que significa que tudo estava bem a bordo da New Horizons a cada semana”, afirma gerente de operações da missão New Horizons no Laboratório de Física Aplicada (APL) da Universidade Johns Hopkins, Alice Bowman, em comunicado divulgado pela Nasa nessa terça-feira (7/7).

Por ter uma jornada interplanetária muito distante, em vários momentos da viagem, a sonda não tem muito trabalho a fazer além de coletar dados. Visando economizar energia e aumentar a vida útil dos equipamentos, o veículo foi hibernado em agosto do ano passado – um modo no qual apenas alguns instrumentos coletores de informações ficam ligados, enquanto o restante é desativado.

Com o despertar, a New Horizons conseguirá enviar para a Terra as informações obtidas em todo o período de viagem hibernado – por conta da distância, estima-se que os sinais de rádio provenientes do veículo demorem quase 9h para chegar ao nosso planeta.

Entre os principais feitos da New Horizons, está um sobrevoo realizado no sistema de Plutão, em 2015; e o estudo do planetesimal Arrokoth, um corpo rochoso ou de gelo pequeno, em 2019 – a análise do objeto se tornou a mais distante já feita em nosso Sistema Solar.

A sonda também passou um tempo estudando e explorando a borda de influência do Sol e objetos localizados no Cinturão de Kuiper, um anel frio que circunda o Sistema Solar externo além de Netuno.

Agora, espera-se que nas próximas semanas o veículo investigue o hidrogênio na heliosfera externa, uma bolha magnética gigante localizada em volta do Sistema Solar. A região é influenciada pelo vento solar e protege a Terra e seus vizinhos da radiação cósmica vinda do espaço profundo.

Anteriormente, as sondas Voyager, da Nasa, já haviam ido lá, porém não tinham os mesmos equipamentos da New Horizons para a coleta de dados. As informações atuais serão inéditas e auxiliarão os cientistas a terem melhores entendimentos do que ocorre na fronteira entre a região de influência do Sol e o espaço interestelar, uma zona chamada de “choque de terminação”.