Inscreva-se no canal MetrópolesTV no YouTube
Ciência

Plástico "vivo" se decompõe em seis dias sem criar microplásticos

O resultado coloca o plástico "vivo" como uma alternativa viável para diminuir a presença das partículas minúsculas em nosso cotidiano

17/07/2026 11:26, atualizado 17/07/2026 11:27
Unsplash
Imagem colorida mostra plástico - Metrópoles

Os microplásticos são partículas minúsculas provenientes da decomposição dos plásticos e representam um grande problema para o meio ambiente. A fim de encontrar uma solução, pesquisadores chineses desenvolveram um tipo de plástico que contém micróbios dormentes em sua composição e, quando ativados, decompõem o material sem deixar fragmentos, evitando, dessa forma, a formação de microplásticos.

Nos primeiros testes, o plástico “vivo” se decompôs em apenas seis dias e sem produzir microplásticos. O resultado coloca a invenção como uma alternativa viável para diminuir a presença das partículas minúsculas em nosso cotidiano e no meio ambiente.

A criação e a verificação da eficácia foram lideradas por cientistas da Academia Chinesa de Ciências. Os resultados estão disponíveis na revista ACS Applied Polymer Materials desde abril.

Micróbios conseguem decompor o plástico sem deixar rastros

Já se sabia que certos microrganismos criam enzimas naturais capazes de quebrar longas cadeias de polímeros — material de que o plástico é feito — em pedaços menores. Assim, algumas pesquisas passaram a investigar se os seres vivos poderiam ser incorporados na composição do item.

Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles

A grande diferença do estudo atual para os outros é ter produzido duas enzimas degradadoras de polímeros que atuam juntas através da modificação genética da bactéria Bacillus subtilis. As pesquisas anteriores dependiam apenas de uma única enzima, o que limitava a eficiência do processo de decomposição.

No teste de atuação em conjunto, as bactérias foram alocadas em um tipo de plástico em forma de esporos dormentes, o que as protegeu. O produto final com os microrganismos se mostrou resistente e funcional, evidenciando que a adição de seres vivos não comprometeu o material.

A ativação das bactérias se deu pela adição de um caldo nutritivo no produto. Após passarem a funcionar, elas produziram as enzimas e, em seis dias, decompuseram o plástico em componentes básicos.

Por fim, os pesquisadores ainda criaram um produto plástico de uso prático e adicionaram as enzimas. Em duas semanas, o material se degradou por completo, evidenciando que a invenção pode ser incorporada em itens plásticos que devem durar apenas um tempo limitado.

Além do uso em produtos, os pesquisadores também querem desenvolver um modo em que os esporos degradadores se ativem na água, o que poderia diminuir o número de plásticos nos oceanos.