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Ciência

Cientistas descobrem que mosca-da-fruta tem espermatozoide gigante

Pesquisa identificou que o inseto possui um espermatozoide 40 vezes maior do que o humano, o que ajuda na sobrevivência da espécie

23/06/2026 13:47, atualizado 23/06/2026 14:50
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Sciepro/Science Photo Library/Getty Images
Ilustração de espermatozoides humanos. Metrópoles

Cientistas descobriram que uma espécie de mosca-da-fruta, a Drosophila melanogaster, tem espermatozoides 40 vezes maiores do que os dos humanos. A descoberta foi publicada na revista científica Nature Physics nessa segunda (22/6).

Apesar de o tamanho do inseto ser de três a quatro milímetros, seus gametas masculinos medem cerca de dois milímetros, algo aproximado ao tamanho de uma semente de chia. Para se ter uma ideia da diferença, os espermatozoides humanos têm cerca de 60 micrômetros — algo em torno de 0,06 milímetro —, o que não pode ser visto a olho nu.

Segundo os pesquisadores, as moscas conseguem armazenar o esperma gigante em seus corpos pequenos por meio de uma eficiente compactação, que aumenta as chances de sucesso de reprodução e a sobrevida das moscas.

Os insetos também possuem uma organização espermática em sua vesícula seminal — órgão que armazena os espermatozoides e tem cerca de 200 micrômetros (em torno de 0,2 mm).

Devido ao fato de o tamanho dos gametas ser maior que o da vesícula seminal, os espermatozoides são organizados em grupos densos que se movem empurrando uns aos outros, fazendo com que fiquem tensos e evitem, assim, o emaranhado de suas caudas.

Em comparação, seria mais ou menos como colocar fones de ouvido no bolso utilizando um sistema que evite que eles se emaranhem, segundo a coautora do estudo, Jasmin Imran Alsou, que é bióloga computacional do Centro de Biologia Computacional, em entrevista à Popular Science.

“Agora imagine colocar milhares [de fones de ouvido] no seu bolso. Os espermatozoides são, obviamente, diferentes de fios passivos: eles são ativos, gerando ondas de flexão ao longo de sua longa cauda. Então, como milhares de espermatozoides ativos se organizam e se movem dentro dos limites restritos do sistema reprodutivo?”, diz.

Para responder à pergunta e entender como os espermatozoides são armazenados sem se enroscar, os pesquisadores colocaram uma substância fluorescente na cabeça e nas caudas deles e, com um poderoso microscópio eletrônico 3D, examinaram seus movimentos coletivos.

“Cada espermatozoide está ligado a uma longa cauda, que se move tão rapidamente quanto as cabeças, mas as caudas, em conjunto, movem-se mais lentamente, num movimento fluido. Seria como se as rodovias começassem a se dobrar e curvar enquanto os carros dentro delas continuassem a disparar em direções opostas”, explica Jasmin.

Em seres humanos, esses armazenamentos também acontecem, segundo os pesquisadores: o DNA é um exemplo, pois são quase dois metros de material genético inseridos no núcleo de uma célula; ou o intestino grosso e o delgado, que medem cerca de nove metros e ficam compactados dentro do corpo humano.

O estudo mostra como os corpos conseguem armazenar órgãos maiores que seus próprios tamanhos e como isso pode ser benéfico, no caso da mosca, para a sobrevivência de sua espécie.