Pesquisadores descobrem 3 novas espécies de moscas no país
Espécies foram identificadas em áreas da Amazônia, Cerrado e Pantanal; descoberta reforça importância de preservar biomas ameaçados
atualizado
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Pesquisadores brasileiros descobriram três novas espécies de moscas da família Sarcophagidae, grupo conhecido como moscas-da-carne e importante para a decomposição de matéria orgânica animal. A pesquisa, publicada nos Anais da Academia Brasileira de Ciências nesta sexta-feira (1/5), integra o projeto SISBIOTA-Diptera, iniciativa voltada ao mapeamento da biodiversidade de insetos em regiões da Amazônia, do Cerrado e do Pantanal.
As novas espécies pertencem aos gêneros Dexosarcophaga, Lepidodexia e Rettenmeyerina. Uma das descobertas chamou atenção por ampliar o conhecimento sobre um gênero que, até então, tinha apenas uma espécie conhecida.
“O fato de encontrarmos uma nova espécie em um gênero tão pouco conhecido foi algo que chamou bastante a atenção da equipe”, afirma a autora do estudo, a bióloga Marina Morim Gomes, pesquisadora do Museu Nacional do Rio de Janeiro, com mestrado e doutorado em Zoologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
A descoberta reforça o quanto a biodiversidade brasileira ainda é pouco explorada, principalmente em áreas menos amostradas. Segundo os pesquisadores, o levantamento permitiu identificar espécies até então desconhecidas pela ciência e demonstrou a importância de projetos contínuos para registrar a fauna nacional.
Sarcophagidae é uma família amplamente distribuída de moscas, com cerca de 3,1 mil espécies conhecidas no mundo. No Brasil, há 393 espécies registradas de moscas. Apesar disso, regiões como o Arco Ocidental da Amazônia, o Cerrado e o Pantanal ainda têm lacunas importantes de conhecimento.
“Essas áreas ainda são pouco amostradas, o que indica que há muitas outras espécies a serem descobertas”, explica Marina.
Para a pesquisadora, registrar novas espécies é essencial em um cenário de mudanças climáticas, desmatamento e pressão humana sobre ambientes naturais.
Qual a importância dessas moscas?
Apesar de muitas vezes serem vistas apenas como incômodo, as moscas da família Sarcophagidae têm papel importante nos ecossistemas. Elas atuam principalmente na decomposição de matéria orgânica animal, ajudando na reciclagem de nutrientes e no equilíbrio ambiental.
Sem organismos decompositores, restos de origem animal poderiam se acumular no ambiente e deixariam de ser reintegrados à cadeia alimentar. Além da função ecológica, esse grupo também tem relevância na entomologia forense, área que usa insetos para auxiliar investigações criminais, especialmente na estimativa do intervalo pós-morte.
A coleta foi feita com armadilhas específicas, como as do tipo Malaise, usadas para capturar insetos voadores. Depois, os pesquisadores analisaram as características morfológicas dos machos adultos, incluindo detalhes da terminália masculina, estrutura fundamental para diferenciar espécies nesse grupo.
A identificação de novas espécies exige análise detalhada em microscópios, fotografias de alta precisão e comparação com material de referência. Esse processo ajuda a explicar o chamado “gargalo taxonômico”, termo usado para descrever a dificuldade de catalogar a enorme diversidade de seres vivos diante do número limitado de especialistas.
As três espécies descritas foram consideradas raras dentro do material analisado, por terem sido encontradas em número reduzido de exemplares e em áreas preservadas. Para os autores, o dado reforça a necessidade de conservar os biomas onde esses organismos vivem.
