Cientistas descobrem que rã comum observada há décadas é de espécie inédita
Apesar de ser de uma nova espécie, cientistas já sabem onde a rã-da-chuva-de-Milpe é predominante pelo mundo e seus hábitos

Em um novo estudo, pesquisadores internacionais descreveram a descoberta de uma nova espécie pequena de rã: a Pristimantis milpe (ou a rã-da-chuva-de-Milpe). Curiosamente, o animal não estava escondido na natureza. Na verdade, ele passou décadas sendo considerado de outra espécie: o Pristimantis subsigillatus, a rã-ladra de Salidero.
A confusão foi corrigida após pesquisadores da Pontifícia Universidade Católica do Equador, liderados pelo biólogo evolucionista Santiago Ron, realizarem uma revisão minuciosa de dados e evidências sobre o novo tipo de rã. Os resultados foram publicados na revista ZooKeys no final de julho.
“O fato de uma espécie tão comum ter passado despercebida por décadas, sob um nome incorreto, destaca a importância de associar corretamente os nomes científicos às populações vivas na natureza”, afirma um dos autores do estudo, Jhael Ortega, em comunicado.
Inicialmente, os cientistas compararam o holótipo das rãs – o espécime de referência oficial do animal – e perceberam que ele tinha diferenças consideráveis em relação ao de P. subsigillatus. Posteriormente, expedições de campo, coletas de espécimes e testes de DNA confirmaram que o exemplar pertencia a uma espécie desconhecida até então.
Apesar de recém-descoberta, a espécie de rã já é bastante conhecida
Justamente por terem sido confundidos por tanto tempo, os cientistas já conhecem a maioria dos hábitos das rãs-da-chuva-de-Milpe. Amplamente distribuídas pelas florestas tropicais do Equador e do sul da Colômbia, elas são frequentemente encontradas em plantações de banana ou em ambientes urbanos. Além disso, a espécie possui um canto característico com som de estalo.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesConsiderada uma espécie pequena, os machos atingem em média 25,8 mm de comprimento e as fêmeas, 33,9 mm. Novas características podem ser descobertas após a correção da nomenclatura.
Ainda de acordo com os cientistas, erros em espécies do mesmo gênero podem ocorrer e, por isso, revisar classificações antigas é importante. “Essas omissões históricas servem como um lembrete de que mesmo espécies comuns podem permanecer efetivamente ‘invisíveis’ para a taxonomia”, afirmam os pesquisadores no artigo.



