Entenda como os cientistas sabem que descobriram uma espécie inédita

Análises físicas, genética e comparação com coleções científicas fazem parte do processo de descoberta de novas espécie

atualizado

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Magnific
Cientista descobrindo uma nova espécie- Metrópoles
1 de 1 Cientista descobrindo uma nova espécie- Metrópoles - Foto: Magnific

Descobrir novas espécies ainda parece algo ligado às grandes expedições científicas do passado, mas o processo evoluiu, conta com novas tecnologias, requer diferente tipos de análise e continua acontecendo em diversas partes do mundo, inclusive no Brasil. Apesar da empolgação em encontrar um organismo desconhecido, o reconhecimento oficial exige anos de pesquisas, comparação com registros antigos e validação científica rigorosa.

Segundo especialistas, não basta encontrar um animal, planta ou fungo diferente para que ele seja automaticamente considerado inédito. É preciso provar que aquele organismo realmente não pertence a nenhuma espécie já conhecida pela ciência.

Descoberta exige análise detalhada

A professora Morgana Bruno, do Curso de Ciências Biológicas da Universidade Católica de Brasília, explica que uma nova espécie só passa a existir oficialmente após cumprir critérios científicos internacionais.

“É obrigatório eleger e preservar um espécime físico de referência, chamado holótipo, que deve ser depositado em uma coleção pública para consultas futuras”, afirma a pesquisadora.

Além disso, os cientistas precisam publicar uma descrição detalhada em revista científica especializada, definir um nome científico e seguir regras internacionais de nomenclatura.

Já o professor Fabricio Escarlate, de Ciências Biológicas do CEUB, destaca que o avanço do conhecimento tornou o processo mais complexo ao longo dos anos. “Quanto maior o conhecimento acumulado sobre determinado grupo de organismos, mais difícil encontrar uma nova espécie”, explica.

Comparações físicas e genéticas ajudam na confirmação

Para confirmar se um organismo realmente representa uma nova espécie, pesquisadores realizam diferentes tipos de análises. Estruturas físicas, comportamento, habitat e até sons emitidos pelos animais podem ser comparados com registros já existentes.

Segundo Morgana, a genética se tornou uma ferramenta importante principalmente para identificar espécies “crípticas”, que são visualmente muito parecidas, mas geneticamente diferentes. “Apenas o DNA pode revelar algumas novas espécies que parecem idênticas aos olhos humanos”, afirma.

Apesar disso, a análise genética não é obrigatória em todos os casos. Escarlate explica que estudos morfológicos ainda podem ser suficientes dependendo do organismo analisado.

“Não há obrigatoriedade de realizar análises genéticas ou moleculares. O mais importante é reunir argumentos robustos que sustentem a distinção entre os organismos”, ressalta.

Processo pode levar anos

O reconhecimento oficial de uma nova espécie pode levar meses ou até anos. Isso porque o trabalho envolve expedições, análises laboratoriais, comparação com coleções científicas e debates entre pesquisadores.

Os professores lembram que erros também acontecem, principalmente quando análises são feitas de maneira superficial ou com poucos exemplares.  Eles reiteram que o processo de descrição de uma nova espécie é um trabalho árduo e demanda centenas de horas de trabalho em campo e em laboratório.

A taxonomia – área responsável pela classificação dos seres vivos – está em constante mudança, segundo os especialistas. Novas tecnologias e interpretações científicas podem alterar a forma como determinadas espécies são reconhecidas ao longo do tempo.

Mesmo com tantos desafios, cientistas afirmam que ainda existem milhares de espécies desconhecidas no planeta, especialmente em ambientes pouco explorados, como florestas tropicais e regiões oceânicas profundas.

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