Cientistas identificam nova espécie em fóssil de 400 milhões de anos

Pesquisa brasileira procurava outro tipo de molusco quando encontrou a nova espécie. Fóssil é milhões de anos mais velho que dinossauros

atualizado

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1 de 1 Imagem colorida mostra nova espécie de molusco descoberta em fóssil - Metrópoles - Foto: Divulgação/André Packer /UEPG

A partir da análise de um fóssil de 400 milhões de anos, pesquisadores brasileiros identificaram uma nova espécie de molusco em Ponta Grossa, no Paraná. O animal viveu entre 170 e 155 milhões de anos antes dos primeiros relatos do surgimento dos dinossauros.

O animal foi batizado como Actinopteria grahni, em homenagem ao professor sueco Carl Yngve Grahn, que trabalhou com os pesquisadores por anos. Os resultados foram publicados na edição mais recente do periódico britânico de paleobiologia Historical Biology.

A descoberta foi liderada pelo professor Elvio Pinto Bosetti e o aluno do doutorado em Geografia Kevin William Richter, ambos da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), e contou com a colaboração de especialistas do Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Bauru.

Busca com outro alvo acaba encontrando nova espécie

Inicialmente, Bosetti e Richter buscavam exemplares de Actinopteria langei, um molusco do mesmo gênero, parecido com a nova espécie e que já tinha sido encontrado em Ponta Grossa. As investigações ocorreram no sítio paleontológico Curva 2, localizado no Jardim Giana, uma região do município paranaense.

Bosetti conta que Richter decidiu que faria um artigo sobre os animais e voltou ao campo onde os fósseis foram encontrados anteriormente. “Ele achou mais uns 20 exemplares, e o especialista do Museu Nacional disse: ‘Olha, isso aqui é uma espécie nova’”, explica Bosetti, em comunicado.

Após analisar o fóssil e comparar os atributos físicos do molusco com os do exemplar semelhante, constatou-se que de fato se tratava de uma nova espécie. Segundo os especialistas, a descoberta de mais um espécime do gênero Actinopteria ajuda a compreender detalhes sobre a fauna e padrões de dispersão entre bacias sedimentares.

“Do ponto de vista paleoecológico, o estudo permitiu interpretar que essas espécies viviam em ambientes marinhos rasos e parcialmente enterradas no substrato, apresentando adaptações relacionadas a esses paleoambientes”, aponta Richter.

Enquanto a pesquisa tenta avançar e encontrar mais conchas da nova espécie, o fóssil do novo molusco fará parte do acervo do Museu de Ciências Naturais (MCN) do Paraná em breve.

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