Cientistas acham fóssil de escorpião gigante de 415 milhões de anos
Achado redefine o entendimento sobre a evolução biológica das espécies que viviam na Terra quando o ambiente terrestre ainda era novo
atualizado
Compartilhar notícia

Se um escorpião que mede em torno de seis a sete centímetros — dependendo da espécie, podendo chegar a mais de 20 — já causa medo, imagine se deparar com um animal medindo mais de um metro. De acordo com fragmentos de um fóssil encontrado no Reino Unido, os pesquisadores descobriram um aracnídeo que viveu antes da era dos dinossauros, há cerca de 415 milhões de anos, e foi considerado um dos maiores predadores da época.
A descoberta do Praearcturus gigas foi publicada na revista Palaeontology na terça-feira (2/6) e redefine o entendimento sobre a evolução biológica, já que o fóssil é do período Devoniano Inferior, uma época em que o ambiente terrestre ainda era novo e os animais vertebrados ainda não haviam saído da água.
Nesse sentido, o tamanho desproporcional do escorpião é justamente atribuído à ausência de outros predadores que viviam nas planícies que correspondem hoje à Inglaterra e ao País de Gales.
Segundo o principal autor do estudo, Richie Howardabre, que também é Curador de Artrópodes Fósseis, o achado muda o que se sabe sobre a evolução desses animais.
“O Praearcturus viveu quando a vida na terra estava apenas começando e os ancestrais de répteis, mamíferos e aves ainda não haviam saído da água. Isso sugere que essa espécie pode ter crescido tanto porque não havia outros grandes predadores, permitindo que ela dominasse seu ambiente”, diz o pesquisador, em comunicado.
Como foram feitas as análises
Para chegar ao resultado, os pesquisadores compararam os fragmentos fossilizados do P. gigas ao Eramoscorpius, um achado canadense de 2015 que descrevia uma espécie ancestral de escorpiões.
Ao compararem as estruturas dos fósseis, os pesquisadores identificaram no Praearcturus o mesmo esterno triangular alongado com sulco central, o qual é uma característica anatômica definitiva do grupo.
“Praearcturus tem idade semelhante à de Eramoscorpius e também possui uma dessas estruturas. Portanto, isso demonstra, sem sombra de dúvida, que Praearcturus deve ser um escorpião”, acrescenta Richie.
O coautor do estudo, Greg Edgecombe, especialista em artrópodes fósseis, complementa que o Praearcturus oferece aos cientistas mais elementos para reflexão sobre a evolução inicial dos artrópodes.
“As linhas que separam os artrópodes que viviam na terra e no mar eram tênues na época do Praearcturus. Nossas melhores árvores genealógicas, baseadas em sequências de DNA, sugerem que os escorpiões são parentes próximos de outros aracnídeos com os quais compartilham pulmões foliáceos, como as aranhas. Isso indica que eles descendem de um ancestral que respirava ar”, disse em comunicado.
O estudo mostra os desafios de sobrevivência no início da vida terrestre e identifica que o ambiente primitivo oferecia pouca biomassa para sustentar o a espécie, que tinha hábitos anfíbios e usava estruturas corporais semelhantes a abas para caçar peixes. Esse comportamento pode indicar um processo evolutivo reverso, no qual o animal retornou parcialmente à água após seus ancestrais se adaptarem à terra firme. Evidências em North Somerset sugerem que a espécie persistiu por mais 40 milhões de anos, mas a confirmação dessa longevidade depende de novos fósseis.