Fóssil considerado primeiro indício de movimento em animais era alga

Reanálise de estruturas antigas mostra que marcas atribuídas a animais têm origem microbiana

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Bruno Becker-Kerber/Harvard University
Foto com zoom, colorida de manchas de cor marrom e preta - Metrópoles.
1 de 1 Foto com zoom, colorida de manchas de cor marrom e preta - Metrópoles. - Foto: Bruno Becker-Kerber/Harvard University

Durante anos, estruturas microscópicas preservadas em rochas muito antigas foram interpretadas por parte da comunidade científica como possíveis rastros deixados por animais primitivos.

A hipótese sugeria que organismos capazes de se mover já existiam em um período mais remoto do que o consenso indicava. A ideia ganhou relevância justamente por antecipar o surgimento da vida complexa na Terra, um dos pontos mais debatidos na paleontologia.

Mas, uma nova análise publicada em 19 de fevereiro na revista científica Gondwana Research revisitou essas estruturas e propôs uma interpretação diferente: os chamados microfósseis não são vestígios de animais, mas sim formações produzidas por algas e bactérias.

Os pesquisadores reavaliaram as evidências com base em análises morfológicas detalhadas e no conhecimento atual sobre o comportamento de microrganismos. A conclusão é que os padrões observados podem ser explicados por processos biológicos mais simples, sem necessidade de envolver organismos complexos.

Estruturas podem ser formadas por microrganismos

Segundo o estudo, as marcas presentes nas rochas são compatíveis com a ação de tapetes microbianos — comunidades formadas por bactérias e algas que crescem em conjunto sobre superfícies sedimentares.

Ao se desenvolverem, essas colônias podem gerar padrões organizados que, após milhões de anos de preservação, passam a lembrar trilhas ou descolamentos. Essa semelhança visual foi o que levou, inicialmente, à interpretação de que se tratava de rastros de animais.

No entanto, a reanálise aponta que não há evidências complementares que sustentem a presença de organismos com capacidade de locomoção coordenada, como estruturas corporais ou sinais claros de movimento.

A nova interpretação tem implicações importantes para a compreensão da evolução da vida. Ao descartar a presença de animais nessas formações, o estudo reforça que, naquele período, a Terra ainda era dominada por formas de vida microscópicas.

Na prática, a mudança ajuda a ajustar a linha do tempo do surgimento de organismos complexos, indicando que eles podem ter aparecido mais tarde do que algumas hipóteses sugeriam.

Revisões são parte do avanço científico

Com o avanço das técnicas e do conhecimento sobre sistemas microbianos, cientistas conseguem hoje revisar hipóteses antigas com maior precisão. O caso mostra que padrões aparentemente sofisticados podem surgir a partir de processos biológicos simples.

A partir dessa revisão, pesquisadores tendem a adotar critérios mais rigorosos antes de classificar estruturas como rastros de animais. A exigência de múltiplas evidências passa a ser ainda mais importante, especialmente quando se trata de registros tão antigos.

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