Vice do AM: política da imunidade de rebanho contribuiu com colapso

Carlos Almeida Filho (sem partido) afirma que a política defendida pelo governo federal e apoiada por Wilson Lima (PSC) aumentou a crise

atualizado 06/05/2021 11:06

Cemitério Nossa Senhora Aparecida, em Manaus (AM). Capital registra recorde atrás de recorde em número de sepultamentosHugo Barreto/Metrópoles

O vice-governador do Amazonas, Carlos Almeida Filho (sem partido), afirmou que a política de imunidade de rebanho, defendida pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido), foi responsável pelo agravamento da pandemia na região.

A declaração foi dada em entrevista à coluna Painel, da Folha de S. Paulo. Almeida Filho disse que o crescimento da variante P.1 do coronavírus — que surgiu em Manaus (AM) e é mais agressiva e contagiosa — está relacionado aos discursos do governo federal sobre a imunidade de rebanho.

No começo de 2021, o Amazonas enfrentou o pior momento da pandemia no estado. Com o sistema de saúde colapsado, a escassez de oxigênio nos hospitais e o aumento de infecções pela variante P.1, a região foi palco de diversas mortes.

O ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello é acusado de omissão na crise enfrentada pelo estado. O vice-governador culpa não só o governo federal, mas também a gestão estadual do governador Wilson Lima (PSC) pelo problema na região.

“Quando o ministro chegou para resolver o problema, ele já estava criado. Mas que problema é esse? A política de contaminação para ter imunidade de rebanho. Era dito no Amazonas que o convívio e contaminação geraria isso. Essa era a política anunciada pelo próprio governo federal. Mas nesse ponto, o que se mostra é que o tiro saiu pela culatra, ocorreu a gestão de uma cepa mais contundente. Isso é por inação do governo estadual, mas também por causa de uma política do governo federal”, disparou Almeida Filho.

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Rompimento

O vice-governador rompeu laços com Wilson Lima em maio de 2020. Segundo Almeida Filho, o distanciamento ocorreu porque ele “não concordava com nenhuma medida de irregularidade”. Em junho de 2020, Lima começou a ser investigado pela Polícia Federal (PF) por suspeitas de desvios de recursos federais para o combate da pandemia.

“Quando houve envolvimento do governador na operação em junho, com muita contundência, com pedido de prisão, a estratégia dele explícita foi mostrar alinhamento com as políticas de combate à pandemia do governo federal”, disse.

O vice-governador continuou: “E pra isso, contrariamente às medidas sanitárias que deveriam ser aplicadas, o Amazonas deixou de tomar as medidas e deixou a P1 ser gerada [cepa do coronavírus]. Quem diz isso são os especialistas, a P1 foi gestada entre outubro e novembro, quando se cobrava do governador medidas de contenção”.

CPI

Almeida Filho disse que está “sempre à disposição” para prestar esclarecimentos sobre o enfrentamento da crise sanitária no Amazonas. Ele disse que, se for convocado à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que ocorre no Senado Federal para tratar da pandemia, comparecerá ao local.

O ex-ministro Eduardo Pazuello foi um dos convocados à CPI. No entanto, ele cancelou o depoimento, alegando ter tido contato com duas pessoas que testaram positivo para Covid-19, o que o obriga a cumprir 14 dias de isolamento social.

O depoimento do general foi remarcado para o dia 19 de abril. A expectativa é de que os parlamentares o pressionem por explicações sobre os problemas da gestão à frente do Ministério da Saúde durante a pandemia. Os senadores também devem pedir informações sobre a compra de vacinas e a omissão na crise em Manaus.

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